O triste fim de Arcane foi bom ou decepção?

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A Análise Final da Segunda Temporada de Arcane

Chegamos ao fim da jornada com a conclusão da segunda e última temporada de Arcane, a animação aclamada por sua criatividade, originalidade e primorosa adaptação de um jogo famoso. A grande questão que paira é: a altíssima qualidade elogiada na primeira temporada foi mantida até o final? Será que, além da arte sensacional, o roteiro conseguiu amarrar todas as pontas soltas, evitar mortes sem sentido ou confirmar desfechos importantes?

Neste artigo, compartilhamos uma opinião sincera sobre o que foi apresentado no encerramento de Arcane.

Sobre a Produção e a Arte

A segunda temporada de Arcane foi encerrada com nove episódios, totalizando dezoito episódios na série. Desde o início, a animação surpreendeu com uma originalidade no traço que, mesmo profundamente inspirada no universo de League of Legends e seus personagens amados por uma base de fãs gigantesca, conseguiu manter uma autossuficiência narrativa.

Um dos pontos mais elogiados, e que se manteve na segunda temporada, é a direção de arte. Ela é construída em função da história, mudando conforme o personagem, a sensação que ele transmite em tela e o ambiente retratado. Este é um elogio que poucos podem discordar.

O Roteiro: Acelerado e Focado nas Irmãs

As discordâncias, no entanto, começaram a surgir em relação à história, com muitos sentindo que o roteiro foi apressado. Havia potencial para mais desenvolvimento, mas após os três episódios finais (totalizando nove nesta temporada), parece que muitas pontas ficaram soltas, preparando o terreno para uma continuação ou, mais especificamente, um spin-off que já foi mencionado como intenção de desenvolvimento, focado em expandir a história para outras áreas do universo de Arcane.

O foco principal, no entanto, esteve claramente nas irmãs Vi e Jinx. A narrativa se concentra em fechar o arco delas, embora os eventos ao redor sejam cruciais e importantíssimos, dado o tempo de tela que personagens secundários ganharam e não poderiam ser ignorados.

A história das irmãs gira em torno de seus discursos e perdas, enquanto tentam encontrar uma saída em meio ao caos: a dor, a perda, o luto, a vingança e o senso de justiça que permeia a violência de uma cidade contra a outra, de mãe contra filha, de amigo contra amigo. No meio desse turbilhão, a magia Arcane tenta ser controlada.

Tecnologia, Perfeição e Universos Paralelos

Observamos como as consequências da tentativa de controle Hextech se tornaram maléficas e descontroladas. Isso culmina no terceiro ato com a discussão sobre universos paralelos e visões diferentes de futuros possíveis: um caótico e outro mais tranquilo, mas nenhum deles perfeito.

Essa temporada levanta a discussão: o que é perfeição? O debate se estabelece entre Viktor, que busca a perfeição humana (algo quase “evangeliano”, no sentido de Evangelion), e Jace, que luta pela individualidade da humanidade, aceitando os erros.

A magia, como um todo, pode ser prejudicial, como defendia Ambessa, ou pode ser usada de maneira positiva, como exemplificado pelo protagonismo de Mel.

Embora eu não ache que Arcane tenha se perdido no roteiro, reconheço que houve uma corrida para finalizar a história de Vi e Jinx nos nove episódios disponíveis. O mundo ao redor delas também teve suas conclusões à medida que o perigo contra a humanidade geral crescia, ameaçando transformar todos em homúnculos controlados por Viktor, em busca de uma unidade de mentes que ele acreditava ser a paz, mas que Jace argumentava ser o fim do pensamento e da individualidade.

A individualidade é vista como causa de muitos problemas, mas também como a fonte da arte, das diferenças e da empatia – sendo, portanto, um “mal necessário”. Jace não é apresentado como um vilão, mas sim como alguém com uma visão complexa, assim como a série em geral.

O Episódio Alternativo e as Lições

O arco final traz um dos episódios mais bonitos, focado na realidade paralela alternativa para a qual Ekko viaja. Lá, ele descobre uma Zaun se reconstruindo em harmonia e felicidade, em vez de um subsolo envenenado e violento. Ver essa realidade serve como um frescor, provando que não existem pessoas essencialmente ruins.

O mesmo ocorre com Silco no universo alternativo: ele não tem o mesmo fogo no olhar, está ao lado do amigo e é possível uma convivência pacífica onde ele não se torna líder de uma revolução violenta.

Jinx, na realidade que acompanhamos, demonstra que há sempre a possibilidade de um novo rumo, mesmo com dores e feridas não cicatrizadas. Ela demonstra a capacidade de amar e ser amada.

Este universo alternativo mostrou a potência e o altruísmo de Ekko ao voltar de uma vida de sonho para salvar aqueles que valorizava, e também que o universo de Arcane trata das imperfeições humanas que Viktor tentava apagar, mas que Jace tentou preservar, pois nelas residem as possibilidades.

A Batalha Final e o Sacrifício

A batalha final se desenrola com Ambessa manipulando Viktor, que buscava a unidade de todas as mentes, para criar um exército imortal, visando chegar ao portal para realizar seu feito.

Durante a batalha, muitos pereceram. Vimos o momento chocante de Kate sendo traída pela pessoa por quem se envolveu. Isso reforça como as pessoas reagem de maneiras deploráveis movidas pela paixão, algo muito presente nos habitantes de Piltover e Zaun.

O ciclo de Kate em Arcane, simbolicamente, se fecha ao se sacrificar pela irmã, que agora ganha uma nova chance ao lado dela em uma cidade que se reconstrói com um conselho representativo dos dois lados. No entanto, a tensão e as rivalidades persistem, indicando que a paz não é plena, mas sim o começo de tratativas, movidas pela necessidade de sobrevivência mútua.

A Jinx, que buscava desesperadamente fugir da loucura de sua mente, é vista lutando bravamente para salvar os outros, ao lado de Ekko, mas também buscando um resquício de seu pai adotivo na criatura controlada por Viktor. Ela é chamada por Vi para sobreviverem juntas, e ela resolve salvar a irmã acima de tudo, se sacrificando se necessário. Sua morte é retratada com um semblante mais calmo, lembrando o laço de amor inquebrável entre as irmãs, apesar de todos os conflitos.

É importante notar que a morte de Vander, que se explodiu junto com a criatura, não garante seu fim definitivo, dada a natureza da série e a menção a um raio rosa que escapou da tubulação (e a cena posterior de Kate olhando a tubulação).

Pontas Soltas e Continuidade

É esperado que personagens como Heimerdinger, que os produtores afirmaram continuar vivo de alguma forma, Ekko, Jace, Viktor e Vi, tenham seus desfechos explorados em futuras histórias. A questão sobre a morte de Jinx e outros personagens depende da continuidade, que é altamente provável, dado o sucesso comercial da animação.

Pontos como o retorno da filha de Singed (Orianna) e a possível ligação de Mel com Soraka (o que foi especulado devido ao seu suporte) permanecem em aberto para futuras explorações. A volta de Mel para sua terra natal e a relação com a Rosa Negra, com quem se aliou momentaneamente, também são desenvolvimentos aguardados.

Para mim, a primeira temporada foi mais “redonda”, pois não estava finalizando arcos estabelecidos. A segunda, ao concluir histórias que poderiam ter mais desenvolvimento, trouxe um ritmo acelerado que pode ter desagradado alguns, mas não fugiu do tema central: preservar a humanidade em meio à tentação de criar uma mente única, que gera estagnação (marasmo).

O paradoxo temporal das realidades alternativas foi utilizado com parcimônia, servindo para reforçar a mensagem central de que as imperfeições são essenciais para a evolução, e não devem ser apagadas em busca de uma falsa perfeição.

Perguntas Frequentes

  • O que acontece com Vi e Jinx no final da segunda temporada?
    As duas irmãs se reúnem no final, com Jinx se sacrificando para salvar Vi, num momento que simboliza a força do amor fraterno que permaneceu apesar dos conflitos.
  • É possível que Jinx volte em futuras histórias?
    Sim, é considerado plenamente possível, especialmente devido ao seu carisma e à intenção de lançar um spin-off. O universo já estabeleceu mecanismos para o retorno de personagens.
  • Por que o roteiro da segunda temporada foi considerado apressado?
    Muitos sentiram que a história, que parecia ter fôlego para mais episódios de desenvolvimento, foi concluída em ritmo acelerado, especialmente no desfecho dos arcos secundários.
  • Qual a principal discussão filosófica trazida pela temporada?
    A discussão central gira em torno do que é perfeição, contrastando a busca de Viktor por uma mente única e pacífica (sem imperfeições) com a defesa de Jace pela individualidade e o direito de errar da humanidade.
  • O que a realidade alternativa mostrou sobre os personagens?
    Mostrou que personagens como Ekko e Silco poderiam ter caminhos mais pacíficos e altruístas se as circunstâncias fossem diferentes, reforçando a ideia de que as imperfeições moldam as escolhas.