Novo Filme de Attack on Titan no Cinema: Final Foi Bom

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O Final de Attack on Titan: Uma Nova Perspectiva Após a Exibição no Cinema

Assisti ao filme que reúne os episódios finais de *Attack on Titan* no cinema e quero compartilhar uma reflexão importante: o final deste anime é bom. Se você não concordou, talvez tenha assistido de forma equivocada.

Acompanho *Shingeki no Kyojin* há anos, e confesso que, após o lançamento do controverso capítulo 139 do mangá, tive minhas próprias questões com o desfecho. No entanto, muita coisa mudou desde então. Ao reler e reassistir o final, entendi nuances que me passaram despercebidas. Ao ver a versão cinematográfica, percebi que alguns problemas estavam ligados não só à história em si, mas à forma como ela foi entregue ao público.

*Shingeki no Kyojin* marcou minha carreira e minha vida. É inegável que foi o anime/mangá que mais gerou conteúdo neste canal. Ainda assim, o final me causou estranhamento e frustração, especialmente porque, após anos acompanhando segredos, teorias e análises, certos pontos não foram respondidos ou seguiram um caminho totalmente inesperado.

A Questão da Exposição Fragmentada

Quando acompanhamos um mangá semanalmente ou quinzenalmente, a expectativa se constrói de maneira diferente da experiência de assistir a um anime lançado em plataformas digitais. A frustração com o final do mangá foi generalizada, com muitos desejando desfechos distintos. Essa insatisfação se espalhou como uma onda, influenciando até mesmo quem só viu o anime ou quem nem assistiu, por já saber que “o final de *Attack on Titan* é horrível”.

A última temporada, iniciada em 2020, foi lançada em partes (Parte 1, Parte 2, etc.), culminando em dois longos episódios de uma hora ou mais, disponibilizados digitalmente. Esse cronograma quebrado — com o início do Estrondo, uma pausa, a continuidade e mais pausas — fragmentou o ritmo. Perdíamos o entendimento dos objetivos do protagonista, a dualidade entre herói e vilão, e momentos cruciais, como a morte icônica de uma personagem importante. O ritmo ficou quebrado, e as reclamações se multiplicaram.

O Impacto do Filme

Por que lançar um filme com os dois últimos longos episódios, que já haviam sido lançados em plataformas digitais? Além do ganho financeiro, a experiência de assistir isso em uma tela grande, com pipoca, som de qualidade e a trilha sonora incrível, vai muito além.

Ver o Estrondo, os impactos, o sangue, a dor e os gritos em uma tela imensa é uma diferença brutal. Contudo, isso não é o que torna o final melhor. O que realmente fez a diferença foi a consolidação do ápice final. Assistir ao início do Estrondo na Ilha de Paradis, a chegada em Marley, a morte se espalhando por diferentes povos nunca antes vistos — incluindo culturas orientais que mal tivemos tempo de abordar — tudo isso consolidado em um único discurso, trouxe um peso diferente.

Parece que essa história foi concebida para ser um longa-metragem desde o início, e lançá-la de forma fragmentada foi um prejuízo imenso para o roteiro. Ao ver tudo junto, o que eu já sabia que aconteceria há anos fez muito mais sentido. É impactante ver o início do Estrondo e, em seguida, mergulhar nas lentidões necessárias para desenvolver o subtexto dos personagens e seus objetivos, tudo em uma batida única, sem que o significado se perca ao longo do tempo.

A cena extra funciona como uma mensagem do autor, sugerindo que certas pontas soltas ou não explicadas foram intencionais. Não foi um acaso ou um erro; foi uma escolha de deixar em aberto.

A Complexidade do Final

Anos após o lançamento, e com a maturidade de quem releu tudo, afirmo que o final de *Attack on Titan*, especialmente neste formato de filme, fica e ficará na história. A mensagem que se perdeu no meio da histeria coletiva é densa.

Ao assistir a história de forma contínua, compreendemos melhor a visão da Aliança e o que Eren tentou fazer. O medo surge quando os Eldianos veem seus recém-colegas se transformarem em Titãs irracionais devido à minhoca. A reação natural ao medo é a violência e a autodefesa, exigindo um grande esforço heroico para que o conflito seja impedido, mesmo que temporariamente.

Vemos que isolar o problema apenas nos Titãs ou nos Eldianos é simplista. O filme reforça o ciclo de ódio. Os sobreviventes de Marley já demonstravam intenção de perpetuar o ódio e as guerras, mesmo sem os Titãs.

Eren: Uma Mescla de Sentimentos

Eren não foi 100% altruísta, nem 100% vilão. Ele era uma mescla de motivações. Ele era uma vítima do contexto que gerou milhares de vítimas. Queria ajudar seus amigos de forma egoísta, destruindo o mundo. Ao mesmo tempo, teve prazer em ver o mundo ser esmagado pela sua ambição, reconstruindo-o à sua vontade com o poder de um deus. Nessa parte, não havia altruísmo.

A experiência de ver isso em uma linha única, sem as pausas semanais, faz com que os significados que poderiam ser diluídos pelo tempo e pelas semanas fiquem mais coerentes.

O paradoxo temporal é evidente: Eren lutava contra si mesmo, tentando controlar eventos futuros, incluindo a morte de sua mãe e de seu pai, que ele mesmo causou ao ter acesso ao poder do Titã Original. Ele acreditava ser livre, mas estava preso em uma “jaula temporal” criada por suas próprias ações futuras.

O filme capta o “suco puro do ser humano” com todas as suas paixões, egoísmos e agressividades. Mesmo com Eren exterminando 80% da humanidade e Paradis se tornando uma potência, a guerra voltou anos depois, e a ilha foi destruída. A mensagem final é pessimista: enquanto houver o ódio mútuo, as disputas por poder e ambição, a tragédia continuará, independentemente da tecnologia (Titãs ou bombas atômicas).

O filme destaca a tentativa da Aliança de lutar pelo que parecia impossível, na esperança de um futuro diferente — embora o desfecho sugira que o ciclo de ódio pode recomeçar.

Assistindo a tudo de uma vez, a densidade narrativa é muito mais percebida. A experiência cinematográfica potencializou a qualidade da história e do entretenimento. Recomendo fortemente que, se puder, assista a este final no cinema para vivenciar essa potência narrativa.

Perguntas Frequentes

  • O que é o Estrondo no contexto do final de Attack on Titan?
    O Estrondo é o evento cataclísmico causado pelo protagonista, que usa o poder dos Titãs Fundadores para destruir a maior parte do mundo fora da Ilha de Paradis.
  • Por que o formato de filme melhorou a percepção do final?
    O formato de filme consolida os eventos finais em uma narrativa contínua, evitando a diluição de significado causada pela espera semanal dos episódios lançados em streaming.
  • É possível dizer que Eren foi totalmente vilão ou totalmente altruísta?
    Não. Ele é visto como uma mistura complexa de motivações: egoísmo por buscar a liberdade plena para seus amigos e o mundo que ele imaginava, ao mesmo tempo em que causou uma destruição massiva, sendo também vítima do contexto histórico.
  • Qual a mensagem principal transmitida pelo desfecho, incluindo a cena pós-créditos?
    A mensagem principal é pessimista sobre a natureza humana: enquanto houver ódio, disputas por poder e ambição, o ciclo de conflito e tragédia tende a se repetir, independentemente das ferramentas de destruição disponíveis.
  • Qual a função da cena extra no final do filme?
    A cena extra sugere que as pontas soltas e questões não explicadas foram intencionais, reforçando a ideia de que certas questões permanecem em aberto propositalmente pelo autor.