Primeiras Impressões de um Anime Chocante: O Pecado Original de Tacopi
Este anime impactou profundamente aqueles que o assistiram logo no primeiro episódio. Nos minutos iniciais, somos confrontados com uma cena extremamente chocante e, infelizmente, muito realista. O drama é intenso, tanto no roteiro quanto visualmente. Apesar de ser um conteúdo bem pesado, ele carrega no fundo uma mensagem de esperança — pelo menos, é o que se espera.
Neste artigo, compartilharei minhas primeiras impressões e o motivo pelo qual você também deve considerar assistir a esta obra.
A Estreia que Chamou a Atenção
Finalmente, tive um momento para comentar sobre este anime, uma das grandes estreias da temporada que atraiu muita atenção. O interesse não se deve apenas à história, mas também à forma de abordagem e ao traço visual.
A animação é muito bem-feita e, curiosamente, possui um estilo fofo que não parece refletir o peso gigantesco das cenas que são apresentadas em curtíssimo espaço de tempo. Estou falando de um anime chamado Tacopis Original S, ou Pecado Original de Tacopi.
Se você observar as imagens que estão sendo mostradas, verá um bichinho rosado e fofo. A princípio, ao se começar a contar a história, pode parecer que se trata de algo leve, com crianças e um serzinho que chega ao mundo. Mas a realidade é bem diferente. É uma história que aborda problemas reais do ser humano, o que a torna repleta de gatilhos e conteúdos sensíveis que, para algumas pessoas, podem não ser agradáveis de assistir.
A qualidade da produção até agora é garantida. Recomendo totalmente este conteúdo, embora para alguns possa ser pesado demais.
Sobre a Obra: Tacopis Original S
A história de Tacopis Original S foi lançada entre 2021 e 2022, cobrindo dois volumes completos do mangá. Por ser uma obra já finalizada, a adaptação em anime terá uma previsão de apenas seis episódios. Até o momento, dois foram lançados, indicando que a conclusão da série deve chegar em breve. É raro hoje em dia um anime que começa e termina sem deixar pontas soltas.
Eu pessoalmente não li o mangá e não pretendo fazê-lo antes de terminar a adaptação do anime. O impacto de assistir cena a cena sem saber o que vai acontecer parece ser a melhor opção.
O Contraste entre Aparência e Realidade
Apesar de abrir a narrativa com crianças e um traço visual fofo, uma abertura com cores saturadas, imagens de felicidade e uma música com harmonia ascendente, logo percebemos que a protagonista, Shizuka, é uma menina muito sofrida.
Logo no primeiro episódio, descobre-se que ela enfrenta dificuldades financeiras, usa roupas basicamente sujas ou trapos, e não tem pais presentes. O drama dessa ausência paterna total, o distanciamento da mãe e um conflito familiar ocorrido quando ela era muito jovem é o que guia muitos dos problemas dela, que vão além da questão financeira.
Shizuka é uma garota sempre cabisbaixa. Ela costuma ficar sozinha em um canto isolado após a aula, onde encontra uma criatura rosada, fofa e feliz. Este ser veio de um planeta chamado Happy e não consegue pronunciar seu nome corretamente — a pronúncia é censurada. Shizuka acaba o chamando de Tacopi (uma junção de *tako*, que significa polvo em japonês, e *pi*, porque ele termina tudo o que fala com “pi”).
Essa criaturinha fofa, redondinha, parecida com um polvinho, chega com alguns objetos mágicos que, teoricamente, servem para trazer felicidade. Parece que a missão dele é levar alegria aos terráqueos, que, da perspectiva dele, são alienígenas.
A Incompreensão da Dor Humana
O problema é que a pessoa que ele encontra, Shizuka, não está feliz. Ela vive dramas tensos e pesados, uma angústia emocional profunda que Tacopi desconhece. Vindo de um planeta feliz, ele não compreende as tramas complexas e, muitas vezes, intransponíveis que formam a cadeia de sentimentos humanos, que varia da extrema felicidade à nostalgia, saudade, tristeza e depressão profunda.
A interação entre Tacopi e Shizuka é fofa, mas quase unilateral. A menina demonstra curiosidade pelo serzinho e um certo cuidado, não querendo que ele se exponha aos colegas de escola, que ela vê como potenciais perigos para algo tão diferente. No entanto, Tacopi não percebe que a garota não corresponde ao seu entusiasmo, não se empolga com o que ele oferece, nem acredita na magia. Ela não se importa quando ele oferece um objeto que a faria voar, pois para ela, qualquer coisa mágica ou até mesmo a crença em algo superior parece ter desaparecido. A esperança acabou naquela menina porque ela vivenciou dramas que ele não conhece e, quando os encontra, não os compreende.
O episódio detalha o que aconteceu com Shizuka, que frequentemente chega da escola triste, suja e machucada. Nenhuma mágica oferecida por Tacopi parece ter o poder de mudar sua expressão ou lhe trazer um sorriso singelo, pois a dor dela é profunda.
Apesar da ausência dos pais e das condições difíceis, Shizuka tem um cachorro que serve como seu porto seguro. Ela chega a verbalizar que o cão é sua única razão para continuar vivendo.
Até que, e este é um mistério que deixarei para quem assistir, algo muito, muito tenso acontece. Tacopi não enxergou o que estava se desenrolando por trás da garota que acabara de conhecer. Ele não entendia os perigos de uma tristeza interminável, da ausência de alegria nos momentos, ou dos segredos e silêncios que podem sufocar uma pessoa até o ponto da explosão.
No dia em que Tacopi decide se aproximar mais, não há mais tempo. Não é difícil imaginar o que ocorreu. Isso é apresentado logo na primeira metade do primeiro episódio, sendo exibido de forma chocante, visceral e dolorosamente assistida.
Diferente de muitos animes que mostram cenas chocantes de ferimentos ou mortes de forma grotesca, buscando o terror surreal, aqui temos uma cena que parece real demais. Quando uma morte ocorre, por exemplo, ela não é barulhenta ou assustadora; ela é silenciosamente angustiante. É o fim total de qualquer possibilidade de alegria ou conversão do humor de uma pessoa. É a finitude contrastando com o sonho de uma criatura que estava em sua primeira missão de espalhar coisas boas, mas se deparou com terráqueos complexos demais.
A Discussão dos Dramas Silenciados
A obra parece mostrar não apenas o drama de Shizuka, mas também o de outras pessoas ao seu redor, trazendo a discussão sobre dramas que muitas vezes são silenciados, escondidos e não discutidos. Ao não serem discutidos, esses problemas escalonam, piorando as sensações e consequências. O anime também expõe como aqueles que causam ferimentos na alma e no corpo podem, eles mesmos, estar passando por problemas não verbalizados.
Será que nesse universo de seres humanos que já presenciamos ou vivenciamos situações difíceis, uma criaturinha tão fofa e ingênua como Tacopi pode mudar alguma coisa? Esse é o ponto de esperança que eu enxergo na história.
Entretanto, logo que Tacopi começa a interagir com essas questões que desconhece, ele percebe que palavras bonitas e a vontade de ajudar não são suficientes para resolver. Ele começa a experimentar o outro lado: o trauma, o medo, a insegurança, a tristeza e o pânico após algo terrível acontecer. Isso é apenas um pedaço do que Shizuka e tantos outros enfrentam.
A história é pesada, mas também fofa e linda à primeira vista, embora seja complicada. No entanto, parece ser algo não apenas bem feito e animado, com uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente, mas também narrativamente bem amarrado até este ponto.
Eu indico muito este anime, mas com a ressalva de que são temas sensíveis. Pelos dois episódios, tudo indica que a série manterá essa pegada intensa. Se você conseguir passar por essa barreira inicial, e se for seguro para você, assista e compartilhe o que achou. Este tem todo o potencial para ser um dos melhores animes do ano.
Perguntas Frequentes
- Como a aparência fofa do anime se relaciona com o tema pesado da história?
A aparência fofa, o traço visual delicado e a música alegre criam um contraste intencional com os temas sensíveis e dramáticos abordados, intensificando o impacto das cenas chocantes e realistas. - O que acontece se eu não tiver lido o mangá original?
Recomenda-se assistir ao anime sem ler o mangá para manter o impacto total das revelações e reviravoltas da história, aproveitando a experiência audiovisual tal como foi concebida para a adaptação. - Por que os presentes mágicos de Tacopi não funcionam em Shizuka?
Tacopi vem de um planeta feliz e não compreende as complexidades da dor humana. Os presentes mágicos não funcionam porque Shizuka lida com traumas profundos, ausência de esperança e problemas reais que transcendem soluções mágicas simples. - É possível que o anime apresente uma mensagem de esperança apesar do conteúdo pesado?
Sim, a análise sugere que, apesar do peso dramático e dos gatilhos abordados, a obra carrega no fundo uma mensagem de esperança, ligada à interação de Tacopi com as dores humanas. - Qual a duração prevista para a adaptação em anime?
A adaptação está prevista para ter apenas seis episódios, visto que a obra original (o mangá) já foi finalizada.
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