Análise do Episódio 5 da Segunda Temporada: A Vingança de L e as Mudanças na Adaptação
Após semanas de grande expectativa, presenciamos um episódio que finalmente mostra L com “sangue nos olhos”, executando a vingança tão prometida desde o início desta segunda temporada. Isso levanta a questão: será que essa abordagem conseguirá silenciar as críticas crescentes sobre a personagem na adaptação, especialmente quando comparada com a versão original?
Este artigo se dedica a comentar o quinto episódio da segunda temporada, atrasado devido a problemas de saúde, mas pronto para discutir os acontecimentos que culminaram em um clímax bastante aguardado e, em certa medida, previsto.
Esporos e a Adaptação do Fungo
O episódio se inicia com a revelação dos esporos, que haviam sido abandonados na primeira temporada. Teoricamente, os micélios – a comunicação em massa mais física dos fungos – foram a estratégia trazida pela série como adaptação para a disseminação e comunicação dos fungos, evitando o problema grave que seriam os esporos no ar.
Contudo, de acordo com o material de bastidores, o raciocínio criativo foi que, dentro daquele hospital, com os subsolos trancados desde o início, um ambiente fechado e úmido teria sido propício para uma nova manifestação do fungo: os esporos no ar. É por isso que, até então, não havia esporos em nenhum outro lugar da série além daquele ambiente confinado.
Acredita-se que os esporos foram reintroduzidos porque a cena da Nora exigia essa manifestação, além de outras situações que podem ocorrer no subsolo do hospital. Visualmente, a fotografia dos fungos nas paredes e nas pessoas mortas, respirando e liberando esporos no ar, foi extremamente bem realizada. Foi uma adição bem-vinda à série, encaixada com uma mínima explicação sobre por que isso ocorreria apenas naquele local.
A Complexa Personalidade de L e o Luto
Já foram feitos comentários sobre as mudanças na L e como, apesar das adaptações de roteiro serem esperadas ao transformar um jogo ou livro em audiovisual, a alteração na personalidade e essência da protagonista nesta temporada chama muita atenção, especialmente para quem jogou os jogos. É natural que fãs tenham expectativas elevadas.
Ficou evidente que os responsáveis pela adaptação têm uma visão distinta sobre a L, principalmente nos últimos episódios. Analisando o material de bastidores do quinto episódio, fala-se sobre a progressão da L até a cena do hospital, onde ela bate em Nora e a tortura antes de matá-la.
Um ponto de destaque mencionado foi a observação de que L se sobressai pela violência e que se sai melhor em momentos de impulso violento. Isso se expressa na cena em que ela encontra os Stalkers (os infectados mais inteligentes), onde ela se sacrifica ao dizer para Dina: “Vai, se esconde, eu vou para cima, eu vou fazer de tudo, porque é ali que ela consegue se destacar”.
Embora não se discorde do ponto sobre sua capacidade em combate, chama atenção o uso de duas estratégias na série para ilustrar o lado impulsivo de L:
- Colocá-la em momentos mais joviais ou infantilizados, como piadinhas sobre ela não saber fazer triangulação ou não ter tantos conhecimentos técnicos quanto Dina. Isso não deveria ocorrer, visto o tempo que ela passou com Joel, aprendendo suas estratégias técnicas, e os treinamentos que fez com Jess e Tommy.
- A força bruta é enfatizada, mas não a estrategista em campo de batalha, o que deveria fazer parte dela.
Em contrapartida, a série optou por não trabalhar o luto de L de forma explícita, como poderia ter sido feito para justificar uma persona mais fria, objetiva e amarga, que culminaria na cena do hospital. O oposto foi feito: L é mostrada mais tranquila no início do episódio, feliz com o gerador e com a gravidez de Dina, como se tentasse enterrar o luto o tempo todo. A impressão é que o roteiro tenta dizer que L estava escondendo essa dor.
A cena do teatro, que no jogo tinha mais contexto, foi mantida, mas sem a trilha sonora “Future Days” tocada por Joel, um momento crucial que só quem conhece o jogo ou pesquisou sobre o assunto entenderá plenamente. Na série, a câmera foca em L ao som da música, seu rosto se fecha e a luz escurece, indicando que o luto e a dor de ter perdido Joel estão ali, basta um gatilho.
É notável que, enquanto Dina demonstra intensidade quando se trata de vingança — impulsionada pela gravidez e pela situação geral —, a vontade de vingança de L não está tão aquecida até o ápice do episódio. Isso sugere que a adaptação está caminhando para que L siga o caminho da vingança, mas de forma mais gradual que no jogo.
Momentos Chave e Direções Narrativas
Dois momentos do episódio foram especialmente marcantes:
- O Encontro com os Stalkers: O encontro inicial com um ou dois infectados inteligentes rapidamente se transforma na aparição de 11, deixando as personagens perdidas. Não são apenas vários, mas infectados inteligentes. Cenas de ação como essa foram bem-vindas, equilibrando o foco da temporada.
- O Confronto com os Serafitas: A cena dos sacrifícios dos Serafitas foi muito bem executada, mostrando a visceralidade do universo além dos infectados. A crueldade humana, maior que a das criaturas, é bem evidenciada. A série mostra como, na visão distorcida desse culto, abrir o abdômen de uma pessoa era uma forma de “libertá-la”, e não um ato de crueldade.
A fuga subsequente, parecida com a do jogo, leva L, Dina e Jess para perto do hospital. A chegada de L logo ao lado de Nora, que revela lembrar dos gritos de Joel e afirma que ele mereceu o que aconteceu, funciona como um gatilho final para a transformação de L. A série não deixa claro se L extrai informações de Nora, mas a cena mostra L chegando com um olhar cada vez mais sombrio, entregando o aspecto “psicopata” esperado por muitos, embora essa transformação tenha ocorrido muito rapidamente.
A lentidão na progressão da raiva de L no início da temporada contrastou com a rapidez com que ela se transforma no final. Isso pode ser uma estratégia para ir contra o hate recebido pela personagem no lançamento do jogo 2, onde sua transformação radical em “monstro” foi amplamente criticada por aqueles que não aceitaram a mudança da personagem “fofinha e queridinha” do primeiro jogo.
O quinto episódio, junto ao segundo, é considerado um dos melhores até agora, oferecendo uma ponta para que a temporada se desenvolva em um tom temático mais próximo ao esperado de The Last of Us 2.
Perguntas Frequentes
- Como a série justificou a presença de esporos no hospital?
A série justificou que, devido ao ambiente fechado e úmido dos subsolos do hospital terem ficado trancados, isso criou condições ideais para o desenvolvimento dos esporos no ar. - Qual a diferença principal na personalidade de L vista neste episódio?
Neste episódio, L demonstrou um lado mais impulsivo e violento, culminando na tortura e morte de Nora, embora a progressão desse estado de espírito tenha sido mais rápida do que a observada no material original. - Por que L foi mostrada mais “feliz” e menos focada no luto no início da temporada?
O artigo sugere que a série buscou mostrar L tentando deixar o luto de lado em momentos com Dina, mas o foco na dor retornou em momentos específicos, como na cena do teatro, indicando que a dor ainda estava presente, mas não de forma orgânica ao longo de todo o roteiro. - Qual foi o impacto da cena dos Serafitas?
A cena reforçou a ideia de que os seres humanos, sob a doutrina de um culto, podem ser mais perigosos e cruéis do que os próprios infectados, mostrando a brutalidade religiosa do grupo. - É possível que a série mude o destino de Tommy?
Sim, o artigo levanta a possibilidade, dada a separação de Jess e Tommy durante a busca, de que a série crie um caminho totalmente novo para o personagem.
Para quem não acompanhou a polêmica do lançamento do jogo 2, a série está tentando criar uma justificativa para a mudança da personagem L, suavizando sua imagem e focando em Dina para dar os melhores diálogos. A atriz foi considerada mais “bonitinha” pela audiência, colaborando para uma narrativa mais favorável ao público, mesmo que isso vá contra a transição mais drástica de personagem vista no jogo.
Gostaria de agradecer a quem chegou até este momento da análise. Se este artigo foi útil, considere demonstrar apoio para viabilizar mais conteúdos aqui no blog. Espero que os próximos episódios tenham menos pausas na entrega do conteúdo.






