The Last of Us 2×04: Vão mudar tudo agora?

the last of us 2x04 vao mudar tudo agora

Análise do Episódio de The Last of Us: A Intensidade de Seattle

Após um episódio anterior que gerou bastante controvérsia, chegamos a um novo momento da adaptação de *The Last of Us*, repleto de ação, drama, cenas impactantes e referências diretas aos jogos, além de trazer modificações que certamente terão repercussões no futuro da série.

Neste artigo, vamos explorar os acontecimentos mais recentes, considerando as nuances trazidas para a adaptação, especialmente em relação à jornada em Seattle.

Reflexões sobre a Adaptação e o Ritmo Narrativo

É importante reiterar que críticas à adaptação não significam rejeição a todas as mudanças em relação ao material original. Entendemos que toda transposição de mídia exige ajustes, seja para dialogar com um novo público ou para criar uma nova experiência audiovisual. Os criadores já haviam sinalizado que a segunda temporada seria uma experiência renovada, mesmo para quem já conhece o jogo.

No entanto, observei que a pausa narrativa implementada foi mais longa do que um mero respiro. Ela serviu para contemplação e entendimento das motivações, mas, em contrapartida, parece ter suavizado o impacto imediato da morte de Joel. Essa redução no peso emocional inicial levanta uma questão: será que essa pausa afetou a sede de vingança de Ellie e, por consequência, a intensidade de sua jornada subsequente em Seattle?

A Chegada em Seattle e a Brutalidade dos Conflitos

Ellie e Dina chegam a Seattle, e fica claro rapidamente que a cidade está longe de ser pacífica. Embora o cenário pós-apocalíptico já implique perigo constante, as cenas presenciadas pelas protagonistas em Seattle são notavelmente chocantes, mesmo para quem já vivenciou atrocidades.

Ao chegarem a um antigo canal de televisão, em um edifício que serve de quartel-general da WLF, elas se deparam com corpos de pessoas da WLF pendurados, com vísceras expostas. Detalhes perturbadores — como o uso de corpos reais (e não manequins, conforme mencionado em bastidores) e intestinos provavelmente de animais para compor o cenário grotesco — reforçam a crueldade da situação.

Essa violência parece ser marca registrada dos grupos em conflito. Os “assovios” ou Serafitas, com seus martelos e flechas, agem com uma crueldade que sugere obediência a um culto quase religioso. A WLF e os Serafitas se apresentam como grupos em conflito permanente, causando perdas em ambos os lados, inclusive entre crianças.

Essa dinâmica ecoa a temática central do jogo: a quem cabe a culpa inicial? A fala de Isaac, líder da WLF, que surge com seu passado explorado na série, reflete essa confusão moral: ele argumenta que não vale mais a pena questionar quem começou o ciclo de violência, apenas resolver. Este é o mesmo dilema que permeia a busca de vingança de Ellie, fazendo com que o tema do ciclo de violência permeie todas as narrativas, grandes e pequenas.

A Relação entre Ellie e Dina e a Questão da Gravidez

Um ponto alto do roteiro até agora é a química e a dinâmica entre Ellie e Dina. A relação delas é apresentada de forma orgânica, coerente e, neste ponto, bastante pueril e leve.

A revelação da gravidez de Dina, e a confirmação de que Ellie é imune, estabelecem uma base de leveza para o relacionamento das duas. Em contraste com o jogo, onde a reação de Ellie à notícia da gravidez de Dina era mais reativa e cautelosa, na série, o clima se mantém mais tranquilo, culminando em um momento íntimo.

A série optou por um desenvolvimento mais suave até este ponto. Contudo, isso gera preocupação: sabendo o peso que a história carrega, essa leveza é sustentável?

No jogo, a informação da gravidez gerava tensão imediata, com Ellie se afastando e expressando receio de ser um fardo. Na série, o desabafo das duas (a revelação da gravidez e a da imunidade) funciona como uma quebra de barreiras emocionais, levando a uma conexão física subsequente. A série parece usar um clichê narrativo onde a vulnerabilidade emocional compartilhada leva à nudez física.

A Pausa de Três Meses e o Impacto na Vingança

A pausa de três meses impacta diretamente a narrativa da vingança de Ellie.

No jogo, após a notícia da gravidez, Ellie é mais reativa e menos carinhosa, estabelecendo uma tensão palpável com Dina. A cena terminava com as duas se separando, e Ellie partindo sozinha em sua perseguição, nutrindo mágoa e incompreensão.

Na série, a situação é mais amena. Isso nos faz questionar se essa suavização do tom impedirá Ellie de ter o ímpeto necessário para as ações futuras.

A Introdução de Isaac e a WLF

A exploração do passado de Isaac, líder da WLF, é um ponto que enriquece a série. Vemos que ele pertencia à Federação Militar, concordando com alguns de seus propósitos iniciais, mas se decepcionou com a corrupção e manipulação do sistema. Ele se uniu a um grupo rebelde, tornando-se líder da WLF após se voltar contra a Federação.

É notável o contraste entre o Isaac “altruísta” do passado, que se revoltou contra a corrupção, e o líder questionável de hoje, que tortura um Serafita para obter informações cruciais sobre ataques e movimentações inimigas.

O episódio mostra Isaac torturando um Serafita usando uma panela fervente, um artefato que ele almejava ter na vida normal. O Serafita torturado mantém a fidelidade ao seu culto, desafiando Isaac ao afirmar que cada vez mais membros da WLF se convertem ao Serafitismo, e quem se torna um nunca abandona sua ideologia.

Dina e os Detalhes da Exploração em Seattle

Ao chegarem em Seattle, Ellie e Dina visitam uma farmácia, um local icônico do jogo. Embora a exploração na série seja mais concisa — cortando a vasta exploração da gameplay do jogo —, momentos importantes foram mantidos, como a descoberta da gravidez de Dina através de testes de urina escondidos.

Em seguida, elas chegam à locação da televisão, onde se deparam com a cena grotesca da WLF. A cena de perseguição é mais intensa e com mais ação do que no jogo. O ápice é a sequência no metrô: claustrofóbica e emergente, com a quantidade de infectados muito maior. Há uma alteração significativa: é Dina quem fica presa na catraca, forçando Ellie a colocá-la para se proteger da mordida, enquanto Dina tenta libertá-la.

No jogo, esse momento envolve esporos, que são infecciosos quando liberados após a morte dos corpos. A série optou por ignorar esse aspecto. No jogo, a máscara de Dina quebra e ela é mordida, gerando pânico em Ellie, que, por sua vez, revela sua imunidade. Na série, a mordida leva a uma tensão diferente, pois Dina já revelou sua gravidez e sua preocupação com a imunidade de Ellie.

Outro momento marcante foi a visita à loja de instrumentos musicais, onde Ellie encontra um violão. Embora não tenhamos flashbacks diretos de Joel ensinando Ellie a tocar nesse período anterior ao jogo, a referência ao fato de ela ter aprendido com ele ao tocar “Take on Me” é mantida. A atuação da atriz de Ellie foi elogiada por traduzir a emoção no olhar.

Considerações Finais sobre as Mudanças

As minhas ressalvas atuais vêm da comparação com o peso emocional do jogo, especialmente considerando que restam apenas três episódios. A leveza observada até agora na relação de Ellie e Dina, e o tom mais brando de Tommy, que não parece estar em busca de vingança com o mesmo fervor do jogo, levantam dúvidas sobre como a série abordará os eventos mais pesados que estão por vir.

O jogo é doloroso ao forçar o jogador a vivenciar as perspectivas opostas. A série conseguirá replicar esse peso físico e emocional? A morte de Joel parece ter sido suavizada, e se o tom continuar mais otimista, algumas das escolhas drásticas feitas no material original podem não parecer justificadas.

Em suma, o episódio foi muito bom, com roteiro belo e adições sensacionais. As mudanças narrativas foram pontuais e, no contexto deste episódio, fizeram sentido. Precisamos aguardar os próximos capítulos para avaliar como essas adaptações afetarão o arco de vingança.

Perguntas Frequentes

  • Como a série abordou a diferença entre a WLF e os Serafitas?
    A série os apresenta como grupos em conflito permanente, com a WLF (liderada por Isaac) e os Serafitas (com um culto religioso e hábitos cruéis) parecendo grupos opostos, ambos envolvidos em violência.
  • Qual foi a principal mudança na cena da mordida no metrô?
    No jogo, a máscara de Dina quebra, ela é mordida e Ellie revela sua imunidade. Na série, Dina é presa na catraca e Ellie a protege da mordida, gerando tensão sobre a mordida que ela pode ter sofrido ou não.
  • O que é a importância do Isaac explorado no episódio?
    O episódio detalha o passado de Isaac como ex-membro da Federação Militar que se desiludiu com a corrupção e liderou uma rebelião para fundar a WLF, embora ele mesmo se torne um líder questionável no presente.
  • É possível que a série suavize as mortes e vinganças do jogo?
    Sim, o tom mais leve observado neste episódio, especialmente no relacionamento de Ellie e Dina, levanta a possibilidade de que algumas escolhas drásticas ou eventos mais sombrios do jogo sejam alterados ou atenuados na série.
  • Qual a melhor forma de entender a reação de Ellie à gravidez de Dina?
    No jogo, a reação de Ellie é de recuo e preocupação por ser um fardo, gerando tensão. Na série, o clima é mais leve, com a revelação da gravidez e da imunidade funcionando para aproximar emocionalmente as duas antes de um desfecho íntimo.

Caso desejem um aprofundamento sobre as dúvidas levantadas sobre o ritmo narrativo e as mudanças em relação ao jogo, deixem seus comentários.

Para quem quiser apoiar e receber mais conteúdos exclusivos, lembre-se que temos uma promoção ativa na loja. Comprando um moletom na Lolja (loja.com.br/gabixavier), você ganha uma camiseta de brinde aplicando o cupom CAMISETA no carrinho, além de frete grátis para todo o Brasil.