Entendendo as Complexidades de Personagens: Fatos Pouco Explícitos
Já se passaram mais de dois anos desde o fim, mas ainda há muitas questões e interpretações equivocadas sobre a história. Este artigo reúne fatos importantes que podem ter passado despercebidos, ajudando a entender melhor certas nuances dos personagens e suas motivações.
A Verdadeira Natureza do Eren
Uma das primeiras e mais comuns interpretações equivocadas sobre o Eren é que ele era simplesmente um herói que buscava salvar seus amigos. A realidade é mais complexa. Para compreender plenamente o personagem, suas idealizações e impulsos, é crucial analisar toda a sua trajetória e contexto, desde o momento em que obteve o poder do Titã.
A influência que moldou seu final já estava presente desde o início. O primeiro episódio estabelece um gancho crucial com o desfecho, influenciando quem Eren se tornaria. Ele sempre foi uma criança impulsiva, revoltada com a ideia de viver confinado entre muralhas e desejoso de conhecer o mundo exterior.
Embora o evento em que seu amigo Armin lhe mostrou um livro contrabandeado — talvez de geografia — revelando a existência de vastas terras (de gelo, areia, fogo) fora das muralhas tenha sido importante, o sentimento de frustração se aprofundou quando ele, ao sair, descobriu que o mundo idealizado não era como imaginado. Isso ficou evidente nas conversas com o jovem Ramsey, a quem mais tarde esmagaria terrívelmente.
O que Eren sentiu foi um misto de frustração com a realidade e uma certa inveja ou traição daqueles que, mesmo sem conhecê-lo, roubaram sua chance de viver naquele mundo que ele ansiava. Embora nem todas aquelas pessoas fossem diretamente responsáveis por seu aprisionamento, elas representavam aqueles que viviam nos cenários que ele idealizava.
No fim, ele nasceu e morreu como um “monstro do mundo”. Quando jovem, seus alvos eram os Titãs que o impediam de sair. Depois, ao descobrir os Eldianos, eles se tornaram seus novos alvos de ódio.
A Dualidade das Ações de Eren
Embora seja verdade que Eren expressou o desejo de proteger seus amigos, inclusive em flashbacks e nos Caminhos com Armin, isso não anula sua outra motivação. O Eren não era uma entidade de um lado só. Ele, sim, desejava que seus cinco amigos fossem heróis do mundo, à moda da família Taibo, para que ele pudesse realizar o que queria: esmagar o mundo.
Ele os protegia da melhor forma que conseguia enxergar, mas uma coisa não exclui a outra. Ele tinha esse senso de proteção e a vontade de colocá-los em uma posição heroica e altruísta para que sobrevivessem, preservando a ilha de Paradis por mais alguns anos. Contudo, ele afirmou, mais de uma vez, que também queria esmagar aquele mundo inteiro, incluindo crianças inocentes.
Essa visão complexa o leva a um paradoxo: ele incentivou a morte de sua própria mãe, ao incentivar a Titã Sorridente a agir, pois de tudo que ele viu, aquele era o melhor futuro possível. Ele não enxergava 100% além do seu próprio futuro; não viu o que aconteceria com o mundo após sua partida.
A Família Ackerman e os Mistérios da Linhagem
A família Ackerman sempre foi alvo de mistérios, e a maior confusão reside na sua origem eugênica. Sim, eles descendiam, de certa forma, de Ymir, mas de maneira diferente.
A informação mais concreta sobre a família Ackerman não veio dos flashbacks de Eren com Zeke, mas sim de revelações mais objetivas, como a tentativa de Eren de afastar Mikassa dele. Muitas informações foram trocadas ao longo do tempo, e uma informação equivocada foi plantada pelo próprio protagonista. Crenças populares, como a de que os Ackermans despertam e ficam vinculados a uma figura de liderança (Kenny a Uri, Mikassa a Eren, Levi a Erwin), eram apenas coincidências situacionais.
Na realidade, a família Ackerman era um clã de Ymir tratado como “bioprodutos”. Eles passaram por algum tratamento genético (não muito detalhado no artigo) que lhes conferiu habilidades semelhantes às dos Titãs sem a transformação.
Além disso, eles possuíam um elo geracional: cada membro estava ligado às gerações passadas, acumulando poderes. É por isso que Levi e Mikassa, os últimos Ackermans conhecidos, são extremamente fortes, vindos de uma linhagem de Ymir que potencializou suas capacidades ao longo do tempo.
Embora não seja explicitamente dito que eles já eram Ymir modificados com ciência Titã (o que seria difícil de imaginar dado que absorveram soros sem virar Titãs), é especulado que eles faziam parte de um clã nobre que recebeu fluidos de Titã ligados aos Ymir.
O que sabemos é que eles possuem uma genética diferenciada por uma “química louca” que lhes permite regeneração acelerada e força descomunal. O despertar desses poderes geralmente ocorre em momentos de extremo perigo ou fragilidade, como no caso de Mikassa ao ser salva por Eren.
A Narrativa do Amor Tóxico de Ymir
A introdução da explicação sobre Ymir ter amado o Rei Fritz, que a escravizou, gerou controvérsia. Muitos acharam absurdo que uma criança escravizada pudesse nutrir paixão pelo seu opressor.
A história não romantiza esse amor; pelo contrário, ela o expõe como tóxico. A carência e a obsessão de Ymir a mantiveram escravizada mesmo após a morte de Fritz. Ela interpretou a migalha de atenção que recebeu dele (como quando ele beijava outras mulheres e ela via aquilo como felicidade) como amor.
Em um contexto ficcional de antiguidade, é mais fácil entender esse apego desesperado por afeto, algo que pessoas com mais recursos e conhecimento atual dificilmente aceitariam.
A narrativa mostra que, mesmo com um amor tóxico, Ymir poderia ter feito escolhas próprias. O fato de a história admitir essa falha narrativa (o amor tóxico) não a torna um erro de roteiro, mas sim uma crítica à militarização, às guerras e, principalmente, ao ciclo de ódio.
O Foco da Mensagem Final
A mensagem inicial do começo da obra não era primariamente para Eren, mas sim para Mikassa. A mensagem que Ymir tentava transmitir 2000 anos depois era para Mikassa: ela era a chave para quebrar o ciclo de receber ordens e fazer tudo apenas por Eren. Mikassa precisava tomar suas próprias decisões, o que culminou em tirar a vida de Eren, dando o gatilho para que Ymir finalmente se libertasse.
Além disso, o poder bélico e a força militarista não são mostrados com glória. Um time skip pós-créditos evidencia que a humanidade, usando esse poder, continua a se exterminar, reforçando a crítica ao autoritarismo e às armas.
Esclarecendo Origens Étnicas
Outro ponto de confusão é a aparência de Levi. Ele não tinha olhos puxados e não era parente direto de Mikassa. Enquanto Mikassa descendia diretamente dos Azumabito (o clã asiático, que não podia ter suas memórias alteradas), Levi apenas tinha um sangue asiático em sua linhagem, vindo de sua mãe, mas não era um Azumabito puro.
Os Azumabitos e os Ackermans são famílias diferentes. Os Ackermans tinham ligação com os Titãs (como explicado antes), enquanto os asiáticos tinham uma ligação política com a família real Fritz, por isso foram convidados a viver dentro das muralhas, mas não eram Ymir.
A Parcialidade da Visão de Eren
É importante notar que Eren não tinha conhecimento de tudo. Ele só sabia o que conseguia enxergar através das memórias que viajavam no tempo. Ele só tinha certeza de que, ao achatar 85% do mundo, ele conseguiria proteger seus amigos. Ele supôs que este seria o melhor destino, mas não tinha garantia de que a paz duraria. Ele próprio incentivou a morte da mãe para que o ciclo de ódio continuasse, pois, em sua visão limitada, aquilo era o único caminho.
Perguntas Frequentes
- Como os poderes da família Ackerman são despertados?
Geralmente, os poderes da família Ackerman se manifestam em momentos de grande fragilidade ou risco de vida, como no caso de Mikassa ao ser ameaçada de morte. - O que diferencia a família Ackerman da família Azumabito?
Os Ackermans são descendentes de Ymir com habilidades aprimoradas por ciência (sem se transformar em Titã), enquanto os Azumabitos (asiáticos) eram um clã com laços políticos com a família real, que não podia ter suas memórias manipuladas. - Por que a relação de Ymir com o Rei Fritz é vista como “amor tóxico”?
Porque Ymir, carente de afeto, se apegou ao Rei Fritz, que a escravizou, interpretando a posse como amor, mesmo após a morte dele. - É verdade que a história apoia o militarismo ou o fascismo?
Não. A narrativa critica fortemente a militarização, as guerras e o ciclo de ódio decorrente do uso de poder bélico ou de Titãs. - Qual foi a mensagem central que Ymir tentou passar para Mikassa?
Ymir queria que Mikassa se libertasse do ciclo de seguir ordens e fazer tudo apenas por Eren, incentivando-a a tomar suas próprias decisões, o que levou Mikassa a matar Eren.
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