Alice in Borderland 3 é um desastre ou necessário? (Review honesta sem spoiler)

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Análise da Terceira Temporada de Alice in Borderland: Valeu a Pena?

A chegada da terceira temporada de Alice in Borderland à Netflix gerou muitas expectativas e, para alguns, algumas surpresas, especialmente porque a história, em teoria, havia se encerrado na segunda temporada, que adaptou o final do mangá original. No entanto, o diretor decidiu criar uma temporada totalmente inédita, com seis episódios novos.

Neste artigo, compartilharei minhas impressões sobre a nova leva de episódios. Não haverá spoilers explícitos no início, mas um aviso será dado antes de discutir detalhes cruciais do final.

Independentemente da minha opinião, a recomendação geral é assistir. São cerca de seis episódios, com aproximadamente uma hora de duração cada, e há muito material novo para quem aprecia o universo da série. Se você gosta da ambientação, vale a pena conferir se gostou ou não dos novos desafios.

A Série e o Sucesso

Alice in Borderland, a adaptação live-action inspirada no mangá, provou que adaptações de animes e mangás podem ser muito bem executadas e alcançar um público maior do que o esperado, transcendendo a bolha dos fãs de cultura pop japonesa. A série se beneficiou da fama de produções sul-coreanas como Round Six, explorando temas de sobrevivência em jogos brutais com mortes intensas, elevando o nível de peso narrativo em sua nova temporada.

Novos Jogos e Inovação

A terceira temporada trouxe novos jogos e desafios. Em comparação com Round Six, parece que Alice in Borderland conseguiu inovar mais na mecânica desses novos desafios. Embora elementos surreais sempre existam, a sensação não é de assistir aos mesmos jogos ou à mesma dinâmica de sempre.

Os protagonistas, Arisu e Usagi, retornam ao universo de Borderland, juntamente com outros personagens conhecidos, participando de atividades extremamente perigosas. A maneira como esses novos jogos foram estruturados se destaca.

Em seis episódios (ou talvez cinco, focados na ação dos jogos), a experiência de entretenimento foi bastante satisfatória. Em termos de jogos, a maioria foi ótima, e os novos personagens adicionados também foram interessantes; me afeiçoei e sofri com eles.

As Questões de Propósito e Desenvolvimento Narrativo

A grande questão que paira sobre a terceira temporada é: por que ela precisou existir? Por que os personagens principais, após o sufoco que enfrentaram e mesmo com a perda de memória, voltariam para Borderland? Os significados e subtextos por trás dos personagens principais e do antagonista parecem um pouco forçados para justificar a continuidade.

Logo na abertura, percebemos que Borderland, de alguma forma, acessa o mundo real. Personagens que já conhecíamos, como Usagi e Arisu, juntamente com Banda e Agata, que decidiram permanecer em Borderland como cidadãos, retornam. Como cidadãos, eles se tornam realizadores dos jogos que acompanhamos.

Banda, em particular, começa a ter cenas onde acessa o mundo real, com a intenção de trazer pessoas para seus “joguinhos”, incluindo indivíduos que já participaram de Borderland anteriormente. Existe um esquema de distribuição de cartas coringa.

É inevitável fazer paralelos com Round Six, dado o caráter imagético, simbólico e narrativo de ambos, mas as novas ideias trazidas pela terceira temporada parecem se inspirar em certos conceitos. A temporada claramente buscou responder às grandes perguntas dos fãs: O que é Borderland? Qual a intenção de levar pessoas para lá? Para onde elas vão após a morte ou sobrevivência? Quem controla este universo? Quem é o Coringa?

No mangá, a figura do Coringa é um misterioso governante que controla os jogos. Na série, embora o conceito permaneça, a explicação final sobre sua identidade é abordada de forma a fechar pontas soltas, o que pode ser satisfatório para alguns, mas que também serve ao propósito comercial de expandir a franquia.

Críticas aos Motivos e Personagens

  • Retorno dos Protagonistas: O argumento para o retorno de Arisu e Usagi, ligado ao luto de Usagi pelo pai e flashes do que ela viveu, é considerado um argumento narrativo fraco para forçar o enredo de volta a Borderland.
  • Desenvolvimento de Riud: O personagem Riud, o professor estudioso da vida após a morte, foi mal desenvolvido. Seu objetivo inicial parecia fraco e não sustenta sua importância narrativa até o final. Sua decisão equivocada sobre o passado, inclusive por ser cadeirante, poderia ter sido melhor explorada.
  • Divisão do Foco: O roteiro separou Arisu e Usagi na maior parte do tempo, o que permitiu explorar melhor o grupo de Arisu, seus personagens e jogos, que foram mais interessantes. O grupo de Usagi teve jogos menos trabalhados, em parte devido ao ponto fraco que era Riud, gerando uma sensação de absurdo maior do que o universo ficcional já propõe.
  • Abstração Necessária: Muitos momentos exigem suspensão de descrença, como um cadeirante superando jogos de laser ou escalada, o que é complicado de aceitar em certos pontos.

A terceira temporada parece ter focado mais em ser um torneio de jogos, um “montante de jogos”, como dito durante a série, devido ao fato de Banda e Agata estarem no controle dos desafios como cidadãos. Isso reverte alguns conceitos anteriores. Não houve tantas surpresas além de quem morreria.

A visceralidade, incluindo mortes gráficas (corpos cortados, explosões), é ainda maior em comparação com Round Six. Para quem busca entretenimento com gore e disputa de jogos bem feitos, a temporada é satisfatória até o ponto final, que foca no desenvolvimento de personagem.

Apesar de ter sido um entretenimento divertido, a temporada pareceu forçada para existir além do que era necessário, mantendo a base conceitual da série, mas falhando em trazer um ápice emocionalmente satisfatório, sendo um desfecho fraco em termos de construção narrativa profunda.

A série, em sua essência, funcionaria melhor com o final dado na segunda temporada. No entanto, para quem sentiu falta de explicações sobre o universo (como o papel dos cidadãos e a natureza do Coringa), a terceira temporada preenche algumas lacunas conceituais. A mensagem final, de que a vida é difícil, mas deve ser aproveitada, é bonita e é a mesma que permanece com os sobreviventes.

O desfecho, no entanto, abre um gancho explícito para uma possível franquia americana (Hollywood), o que parece uma repetição da estratégia vista com Round Six. A sugestão de uma versão americana de Borderland, explorando o conceito de “Alice” buscando outro coelho em Los Angeles, reforça a ideia de que a plataforma busca manter franquias lucrativas a todo custo, mesmo que isso comprometa a integridade narrativa original.

Apesar das ressalvas quanto à justificativa da terceira temporada, os momentos de ação e os efeitos visuais são muito bem executados. Ver o amor entre Arisu e Usagi reforçado e a inclusão de um filho, além de pequenos vislumbres sobre a vida dos cidadãos, justificam, para alguns fãs, a existência deste bônus de entretenimento.

Perguntas Frequentes

  • Como a terceira temporada se conecta com o mangá?
    A terceira temporada é uma história totalmente original, criada após o ponto onde a segunda temporada se encerrou, que correspondia ao fim do mangá.
  • O que é o Coringa na série?
    O Coringa é retratado como o governante ou guardião da passagem entre o mundo real e o “vórtex da morte”, um conceito que representa o intervalo entre a vida e a morte.
  • É possível que novos personagens retornem em uma futura temporada?
    A temporada finaliza com um gancho sugerindo uma nova ambientação (Estados Unidos), indicando uma possibilidade de continuação ou spinoff.
  • Qual a melhor forma de aproveitar a terceira temporada?
    A melhor forma é encará-la como um bônus focado em entretenimento, ação e exploração de personagens secundários, sem esperar uma construção narrativa tão rigorosa quanto nas temporadas iniciais.
  • Por que a série continua a fazer paralelos com Round Six?
    A semelhança reside no tema de jogos de sobrevivência com alto teor de brutalidade e na estratégia de ambas as plataformas de expandir essas narrativas de sucesso em franquias globais.

Se você gostou de Alice in Borderland e aprecia jogos intensos, gore e bom entretenimento, assista. Contudo, se você busca um ápice narrativo ou um fechamento de conceitos mais profundo, pode se decepcionar com os argumentos utilizados para a terceira temporada. Deixe sua opinião sobre o que achou dos novos episódios.

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