Vi o Castelo Infinito e agora posso falar: opinião sem filtro (com spoiler)

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Análise Detalhada de “Castelo Infinito” com Spoilers

Após assistir ao novo filme de Demon Slayer, “Castelo Infinito”, duas vezes, trago aqui um comentário sem filtros sobre tudo o que achei, com spoilers detalhados. Se você busca uma análise sem revelações, há um conteúdo completo disponível neste blog.

Neste artigo, abordarei todos os aspectos, inclusive o que pode ter levado algumas pessoas a classificarem este filme como para maiores de 18 anos, com todos os detalhes.

O Ritmo e os Momentos de Reflexão

Gostei do filme, mas reconheço que algumas pessoas têm ressalvas quanto ao ritmo. Sendo um filme de duas horas que inicia um arco extenso com muitas lutas e informações cruciais, ele dedica tempo a momentos importantes.

O filme apresenta três grandes momentos de luta, sendo a terceira a final. Entre elas, existem grandes pausas, não apenas intervalos, mas extensos flashbacks e momentos de reflexão. Estes momentos servem para trazer metáforas, filosofias e questões de construção de personagem ligadas à luta em andamento. Adicionalmente, podem trazer flashbacks sobre o vilão ou o protagonista, contextualizando o que está acontecendo no instante para gerar emoção.

É um formato comum em animes, mas em episódios serializados, os flashbacks tendem a ser mais curtos devido ao tempo limitado do episódio. No formato de filme de duas horas, com três atos, os momentos de reflexão são mais longos. Isso não significa que sejam menos importantes; pelo contrário, são essenciais para agregar conteúdo à parte agitada, evitando que o filme seja apenas uma sequência de lutas.

Análise dos Arcos de Luta

Entendo as críticas sobre o ritmo, pois o filme se estrutura em três arcos principais:

  • Primeiro Arco: Doma vs. Shinobo

Este arco apresentou a conclusão do sofrimento de Shinobo. Embora eu já soubesse o que aconteceria e não chorei com a morte dela, fiquei muito impactado quando o Corvo foi dar a notícia a Tanjiro e Tomioka. A ausência de trilha sonora, substituída por um silêncio oco de luto, foi muito tocante. Na primeira vez que assisti, chorei muito com este momento, e a lembrança de Tanjiro com Shinobo, acompanhada daquela musiquinha de fundo da mansão das borboletas, intensificou a emoção.

Este primeiro arco pareceu bem ritmado. Incluiu flashbacks focados na carga emocional de Shinobo, sua busca por vingança pela irmã, e suas frustrações por ter um corpo pequeno, sentindo-se inferior, e por interpretar mal as últimas palavras da irmã, que desejava apenas que ela fosse feliz e vivesse mais, e não que parasse o treinamento por não ser forte o suficiente.

As interferências narrativas não quebraram drasticamente o ritmo da luta, que era acelerado, condizente com a respiração do inseto, focada em agilidade devido às limitações de força e tamanho da espada de Shinobo. A potência rápida permitia golpes importantes com o veneno, embora Doma conseguisse se adaptar. Não foi eficaz para derrotá-lo, já que ela não conseguiria cortar o pescoço dele devido às suas limitações físicas.

Um ponto que me agradou menos, mas que entendo o conceito, foi a trilha sonora. Por ser a respiração do inseto, houve um foco em batidas mais eletrônicas, ligadas ao som de insetos. No entanto, pessoalmente, prefiro a trilha sonora utilizada na luta de Akaza.

É importante notar que a trilha sonora não foi usada aleatoriamente. Houve momentos de ausência total de música, onde a sonoplastia do sangue — o som dele caindo, espirrando, jorrando, e os ossos quebrando (especialmente os de Shinobo sendo esmagados por Doma) — ganhou destaque.

O arco termina com um ótimo gancho, mostrando Nezuko ferida, mas com a promessa implícita de que ela vai se recuperar e vencer, deixando o mistério de dois anos para quem não tem spoilers.

  • Segundo Arco: Zenitsu vs. Kaigaku

Este arco foi mais curto, focado na luta de Zenitsu. Para quem não tinha spoilers, foi surpreendente ver o Zenitsu, que é medroso, totalmente centrado no Castelo Infinito. A razão disso está na carta que ele recebeu, que gerou uma informação pesada: um dos sucessores da respiração do trovão, Kaigaku, havia se tornado uma Lua Superior.

Zenitsu fica possesso, mas a raiva é um misto de decepção, frustração e luto pelo que o seu avô sentiu, por acreditar que não eram capazes. Zenitsu nunca acreditou que deveria ser o único sucessor, diferente da crença de Kaigaku.

Zenitsu verbaliza para Kaigaku que ambos são uma decepção. No entanto, no pós-vida, ele descobre com o avô que é um orgulho, pois superou o medo. Ele aprimorou a única forma que aprendeu, ao contrário de Kaigaku, que sabia todas, menos a primeira. Zenitsu criou a Sétima Forma da Respiração do Trovão, que lhe permitiu vencer.

A cena em que Zenitsu encontra o avô no pós-vida é muito emocionante. Ele sente luto não por si, mas por não ter tido a oportunidade de lutar ao lado de Kaigaku como companheiros contra os demônios.

Kaigaku se rendeu à sua frustração e incapacidade de avançar. Ao receber a oferta de um “upgrade fácil” (se tornar um demônio), ele aceitou por medo e covardia. Zenitsu, mesmo não sendo o mais forte, eliminou uma Lua Superior sozinho. Kaigaku se tornou a Lua Superior Número Seis, mas ainda não estava plenamente acostumado com suas novas habilidades, que combinavam o sangue demoníaco com a respiração, algo potente, como mencionado pela Lua Superior Um.

O fechamento do segundo ato é dramático: Zenitsu, destruído após o combate, tentando segurar os ferimentos causados pelo kekijutsu de Kaigaku.

A respiração do trovão na tela foi maravilhosa, com os raios. O momento em que Zenitsu usa a forma que criou, com o slow motion e a pressão contra o edifício, foi puro cinema.

  • Terceiro Arco: Tanjiro e Tomioka vs. Akaza

Este arco é a parte mais extensa e com as maiores pausas, que poderiam, inclusive, formar um episódio inteiro em um anime serializado. Eu entendo a sensação de desaceleração, mas o roteiro foi pensado para o cinema, e essas pausas são cruciais.

A luta entre Akaza, Tomioka e Tanjiro é a mais bem feita em termos de animação. A movimentação dinâmica no castelo, com os personagens subindo e descendo, e a câmera acompanhando, torna a luta imersiva. A trilha sonora clássica que acompanha Akaza é excelente, tornando-o um vilão carismático.

Quando Tomioka fica isolado, a luta segue contra Tanjiro, que surpreende Akaza ao melhorar rapidamente. Quando Tomioka retorna, ferido, e afirma que está com dor nas costas, há um alívio cômico breve, mas o filme é majoritariamente contemplativo e pesado.

Ao despertar a marca, Tanjiro atinge um ápice. Ele acessa o Mundo Invisível (um conceito revelado através do flashback de seu pai sobre a Hinocami Kagura e a Dança do Deus do Fogo), que permite enxergar através da pele e músculos. Ele usa isso para se posicionar atrás de Akaza e anunciar que cortará seu pescoço, o que arranca risadas da plateia, mas ele o faz imediatamente.

Após o golpe, há um grande flashback do Akaza, mostrando sua vida sofrida como humano: roubava para comprar remédios para o pai, que acabou tirando a própria vida. Isso justifica a motivação de Akaza para se vingar daqueles que envenenaram aqueles que ele amava.

A cena da morte do pai de Akaza e a mãe de sua noiva (que também tirou a própria vida) são pesadas. Embora visualmente explícitas em detalhes de vísceras e órgãos no momento em que Akaza se autoflagela, essas cenas não são enquadradas diretamente na tela, mas são descritas, o que, para mim, não justifica a classificação para maiores de 18 anos sozinha.

No entanto, o nível de gore explícito ocorre quando Akaza, após a luta, lembra-se de seu passado humano e decide se auto-flagelar para morrer, pois não queria continuar vivo para matar outros. Vemos seus órgãos e cavidades abertas.

Ainda mais chocante é o momento em que Muzan, achando que um humano havia matado todos, aparece e enfia a mão na cabeça de Akaza, arrancando seu cérebro para iniciar a criação de suas novas Luas Superiores.

Quando Akaza retorna à lembrança de seu amor, ele abraça a mulher amada e decide aceitar a morte, mesmo com o sangue oni e a voz de Muzan pedindo para ele continuar forte. O cinema inteiro chorou nesse final.

O filme amarra todas as pontas do arco do Castelo Infinito. Embora alguns achem que termina abruptamente, ele é muito eficiente em contextualizar de onde viemos e para onde vamos, mostrando os protagonistas nocauteados, Zenitsu sendo cuidado e os outros Hashiras. O alívio cômico final, com Inosuke tentando achar um Oni super forte, foi bem-vindo.

A dublagem de Akaza foi genial, tornando-o carismático. O filme termina com Muzan, prometendo vencer todos, enquanto tenta se recuperar do veneno colocado por Tamayo.

Minha única ressalva é o flashback do pai de Tanjiro no meio da luta contra Akaza, que estica a emoção, mas explica conceitos cruciais como a exaustão da Hinocami Kagura (12 movimentos que exigem consciência corporal total) e como Tanjiro atinge o Mundo Invisível, permitindo-lhe enxergar por trás de Akaza.

Tecnicamente e narrativamente, o filme é impecável e foi feito para o cinema.

Perguntas Frequentes

  • Como a respiração do trovão de Zenitsu foi aprimorada?
    Zenitsu aprimorou sua técnica ao criar a Sétima Forma da Respiração do Trovão, superando as expectativas de seu avô e sendo um contraste com Kaigaku.
  • O que é o “Mundo Invisível” que Tanjiro acessa?
    É uma capacidade acessada através da Hinocami Kagura, que permite ao usuário enxergar através da pele e dos músculos, tornando o combate mais eficiente.
  • Por que o filme tem cenas consideradas pesadas para a classificação etária?
    As cenas mais explícitas envolvem a descrição detalhada de ferimentos, vísceras e o auto-flagelo de Akaza, mostrando órgãos expostos.
  • Qual foi a motivação de Akaza para se tornar um demônio?
    Akaza se tornou um demônio após uma tragédia pessoal, onde ele roubava para ajudar o pai e, ao descobrir que o pai tirou a própria vida, se entregou à frustração e ao ódio, aceitando a oferta de se tornar um Oni.
  • Qual a principal diferença entre a luta de Shinobo e a de Tanjiro/Tomioka?
    A luta de Shinobo contra Doma foca na agilidade extrema, enquanto a luta de Tanjiro e Tomioka contra Akaza é mais extensa e dinâmica, explorando o uso do Mundo Invisível e técnicas avançadas.

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