Lord of Mysteries Pode Ser Um dos Melhores Animes do Ano? Eu Vi Até o Fim e Me Surpreendi!

lord of mysteries pode ser um dos melhores animes do ano eu vi ate o fim e me surpreendi

Análise Profunda de Lord of Mysteries: O Anime Chinês do Ano?

Um anime que chegou com um hype insano e conquistou uma legião de fãs, já com a confirmação de sete temporadas, três especiais e um filme planejados até 2035. Mas será que toda essa aclamação é merecida ou estamos nos exaltando demais com Lord of Mysteries?

Este artigo se propõe a analisar este Donghua (anime chinês) que, para muitos, já se estabeleceu como um dos melhores do ano, ou ao menos figura no pódio. Embora a leitura da novel original tenha sido apenas um vislumbre inicial, o suficiente para captar a essência da história de um protagonista que transmigra para um mundo repleto de mistérios, sociedades ocultas, poderes e entidades bizarras. Seu objetivo principal é entender como esse universo funciona e como ele se manifesta na adaptação.

De antemão, a impressão é que este anime é simplesmente magnífico. O que mais impressiona é a profundidade do tema e a raridade de encontrar um assunto tão complexo em um anime com esse nível de detalhamento, que parece ter sido milimetricamente calculado.

Além da narrativa rica, o visual é deslumbrante. A animação 3D é uma verdadeira aula na maior parte dos episódios. Contudo, existem alguns pontos que, ao serem tratados de maneira específica, acabaram quebrando um pouco a experiência geral.

A Confusão Inicial e a Ausência de Slice of Life

Um ponto que gerou bastante discussão entre quem leu a novel e quem não leu foi a introdução da história. O início do anime, especialmente os primeiros minutos do primeiro episódio, onde o protagonista transmigra (ou, em termos mais simples, “vai de sekai“), foi considerado confuso por parte do público que não tinha o contexto prévio.

Embora o termo “transmigrar” dê uma vibe mais imponente à obra, houve a falta de uma introdução mais detalhada sobre quem o personagem era antes, onde trabalhava e como acabou naquele novo mundo. Essa introdução mais passo a passo ajudaria a criar mais empatia com o protagonista.

Em vez disso, essas informações foram apresentadas em momentos separados, utilizando os curtos clipes chamados de Tibs (aqueles bonequinhos pequenininho e fofinho), que resumiam o passado dele, o ritual que deu errado e sua transmigração. Essa passagem de cerca de dois minutos poderia ter sido incorporada logo no começo, proporcionando uma compreensão melhor e evitando que o espectador ficasse perdido.

Entende-se a decisão de não detalhar tudo no início para não quebrar a aura sobrenatural e misteriosa que a produção estava construindo. No entanto, esses Tibs poderiam ter sido inseridos um pouco mais adiante na narrativa principal, sem prejudicar o ritmo.

Vale notar que os Tibs têm uma pegada mais cômica e descontraída. Se esse tom cômico fosse injetado na narrativa principal, poderia diminuir o peso e o mistério da obra, mas em outros casos, funcionaria como um bom alívio cômico. Muita gente comentou que isso foi feito para não alongar demais episódios que já são longos, mas para mim, foi um problema:

  • Uma das grandes essências da história reside justamente nesses momentos de Slice of Life, como quando Klein compra a bengala, ou quando eles precisam ludibriar o antigo dono da casa porque o protagonista já era muito conhecido no clube de adivinhação.
  • Até o personagem Nil ganha carisma ao mostrar seu lado econômico, pedindo reembolso de tudo, ou no caso do Enforcado exigindo 1000 libras de indenização.

O anime mostra um pouco disso, mas as continuações desses momentos daria muito mais corpo às personalidades dos personagens. A ausência desses detalhes mais lentos e explicativos faz com que algumas situações e poderes, que são complexos, pareçam apressados ou confusos, especialmente para quem não leu a novel. Acredita-se que a maioria do público perdeu cerca de 60% da profundidade da trama por conta disso.

A Complexidade do Mundo e a Falta de Explicações

O universo de Lord of Mysteries é extremamente complexo, com muitos deuses, organizações, cidades e 22 caminhos, cada um com nove sequências, sendo que os nomes de alguns elementos são diferentes ou substituídos por termos mais simples (como “nível” no lugar de “sequência”).

Embora a criação de um vocabulário único ajude a tornar a obra mais singular, a falta de explicações mínimas faz com que detalhes cruciais passem despercebidos:

  • Por que não se deve olhar para um deus? Foi mencionado que o protagonista foi queimado ao olhar para o sol, mas o motivo real por trás disso não é esclarecido.
  • Por que Nil ergueu uma parede de magia antes do ritual? Para limpar o local de qualquer interferência, mas a seriedade desse procedimento não é bem transmitida.
  • O número exato de velas em um ritual tem significado.
  • Por que Klein conseguiu ver os escribas escrevendo a poção do Palhaço (sequência oito do caminho do Vidente)? Porque é a junção de duas habilidades específicas.
  • Por que Enforcado e Justiça ficaram surpresos ao ver Klein ser chamado em um encantamento com apenas três partes? Porque para deuses, três partes bastam, enquanto para seres comuns são necessárias quatro ou mais.

As aulas do Nil explicam que a visão aguçada dos Beyonders permite que eles percebam coisas do além mesmo quando tudo parece normal, o que torna a surpresa dos outros deuses ainda mais significativa. A ausência dessas explicações detalhadas no anime enfraquece o impacto épico, pois tira a noção das fraquezas dos Beyonders, que não são seres intocáveis como o anime faz parecer em alguns momentos.

Esses momentos de detalhamento e Slice of Life eram o que tornavam a Light Novel tão boa e famosa. O ideal seria um número maior de episódios, talvez 24 ou mais, com cerca de 30 minutos, para abordar com mais calma o clube de tarô e a língua Hermes antiga.

A Qualidade da Produção e a Dublagem

Em outros aspectos, o anime brilha:

  • Trilha Sonora: A parte sonora é excelente, complementando e dando uma profundidade enorme ao desconhecido e ao sobrenatural, gerando um ar de arrepio.
  • Animação 3D: É uma aula, especialmente a partir do episódio 3. Apesar de alguns movimentos iniciais terem sido um pouco plásticos ou ruins, a animação foi corrigida e se manteve de alta qualidade.
  • Dublagem em Português BR: Ficou muito boa, casando melhor com a proposta da obra, facilitando a compreensão das explicações sobre os Beyonders, piadas e entonações. O uso de vozes conhecidas em personagens secundários também foi um toque legal.

Houve pequenas falhas na dublagem, como na luta de Leonard contra Harvey, onde os sons de Leonard em descontrole não foram tão impactantes quanto na outra dublagem. Entretanto, dois destaques foram:

  1. Palhaço: Dublado por Márcio Simões (o mesmo do Coringa), foi sensacional e genial, embora o personagem apareça pouco.
  2. Neil: Dublado por Elsio Romar (mesmo dublador de Liam Neeson), conseguiu dar uma aura mais cansada e emoções profundas ao personagem. Neil se destacou como o melhor construído desta temporada, transitando entre o alegre e o atormentado, escondendo suas dores e tentando ressuscitar sua amada, sacrificando-se. Essa fragilidade o tornou mais humano e a cena final dele em um campo dourado com a esposa foi bela e triste.

O Klein e o Capitão tiveram construções boas, mas os demais personagens ficaram um pouco mais rasos em comparação. Klein é um protagonista principal que demonstra fraquezas e não resolve tudo de forma instantânea como um “Deus Máquina”. Já o Capitão, que no início parecia apenas imponente, revela um backstory pesado no final, onde ele preferiu absorver as características dos ex-companheiros a entregá-los à catedral.

A segunda metade do anime (episódios 6 a 13) foi significativamente melhor que a primeira, tudo parecia mais ambientado e a construção dos personagens Neil e Capitão evoluiu muito mais.

Conclusão da Avaliação

No geral, Lord of Mysteries é um anime excelente, com um mundo fascinante e uma quantidade absurda de conteúdo que sempre nos faz querer mais. Os ótimos personagens e a intriga são cativantes. No entanto, o uso insuficiente das explicações cruciais em formato de Tibs ou Slice of Life quebrou um pouco a experiência.

A minha nota final para este anime é 8.5 (ligeiramente acima no MyAnimelist).

Até o momento, há outro Donghua que agradou um pouco mais, mas teremos uma dobradinha de produções chinesas no pódio. É de se esperar que obras com essa complexidade e nível continuem a elevar a qualidade geral do mundo dos animes.

Perguntas Frequentes

  • O que são os “Tibs” mencionados no artigo?
    São pequenos clipes complementares, apresentados em formato de bonequinhos fofinhos, que resumem momentos do passado do protagonista ou fornecem contexto adicional, geralmente com um tom cômico.
  • Por que a falta de detalhes da novel impacta a experiência do anime?
    A falta de explicações detalhadas sobre o funcionamento do mundo, dos poderes dos Beyonders e dos rituais torna a narrativa inicial confusa e diminui o impacto de certas regras e surpresas para quem não leu o material original.
  • Qual foi o personagem mais bem desenvolvido na primeira temporada?
    O personagem Neil foi apontado como o mais profundo e bem construído, mostrando uma rica transição de personalidade e um passado doloroso que foi bem representado na dublagem.
  • É possível a narrativa se tornar menos confusa nas próximas temporadas?
    Espera-se que, com a descoberta do antagonista principal no final da primeira temporada, as próximas continuações sigam um estilo de narrativa mais icônico e talvez dediquem mais tempo a elementos cruciais, como o clube de tarô.
  • Qual a nota final dada para o anime?
    A nota atribuída foi 8.5.