Sakamoto Days: O novo John Wick dos animes é realmente tão bom assim?

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Análise de Sakamoto Days: O Hype vs. A Realidade da Adaptação

Para quem acompanha lançamentos de anime no início do ano, Sakamoto Days figurou entre os mais aguardados, carregando a expectativa de entregar algo incrivelmente bom, comparável ao lançamento de obras como *One-Punch Man*. A premissa, que mistura elementos de *Spy x Family* com a ação bruta de *John Wick*, gerou um entusiasmo considerável. No entanto, surge a questão: a adaptação está realmente cumprindo tudo o que prometeu, ou o hype inicial acabou ofuscando a experiência real?

A Sinopse e o Enredo Central

A história acompanha Sakamoto, que já foi o melhor assassino do mundo. Ele abandonou sua antiga facção após se apaixonar perdidamente, constituindo família, tendo uma filha e abrindo um modesto mercadinho. Sua paz é interrompida quando sua antiga organização decide cobrá-lo pela deserção, pois sair nunca foi uma opção. Ao perceber que sua família pode estar em perigo, Sakamoto é forçado a retornar lentamente à ativa, mesmo que sua esposa não aprove a ideia.

As cenas de ação são marcadas por uma mistura de comédia, onde Sakamoto utiliza qualquer objeto disponível — como panelas, teasers ou balas de goma — em vez de armas convencionais. Isso acontece porque a regra fundamental que ele deve seguir, estabelecida por sua esposa, é a de não matar ninguém.

Comparação entre Mangá e Anime

Ao comparar o material original do mangá com a adaptação em anime, notamos que muito conteúdo foi adicionado, mas também há omissões importantes.

No início da história, a adaptação parece muito fiel, seguindo à risca os quadros do mangá. A luta entre Sakamoto e Shin, que ocorre dentro do mercadinho, foi reproduzida de forma idêntica, sem alterações significativas.

O ponto de divergência mais notável surge no final do primeiro episódio, durante a sequência em que Sakamoto vai salvar Shin. No mangá original, a cena é muito mais direta: Sakamoto chega, derrota alguns inimigos e desarma o resto.

No anime, essa parte foi expandida consideravelmente, incluindo:

  • A dinâmica de Shin lutando para se proteger.
  • Shin atirando nos inimigos e escutando os pensamentos de um deles.
  • Um dos inimigos sacando uma bazuca inesperadamente.

Esses detalhes não existem na versão original do mangá.

Essa expansão serviu para dar mais tempo de tela a Shin, o que é positivo, pois ajuda o espectador a entender melhor seu superpoder (entre aspas) e acrescenta mais momentos de ação bizarra proporcionada por Sakamoto. O anime trabalhou mais nas sequências de ação, adicionando elementos como Sakamoto enrolando capangas e jogando-os no lixo, ou pegando balas com a mão, cenas que não estavam presentes no original.

Omissões de Conteúdo do Mangá

Por outro lado, algumas histórias foram completamente retiradas da adaptação. Entre o episódio 1 e 2, o arco em que Sakamoto e Shin vão ao distrito chinês e encontram Lu antes dos eventos seguintes, consistia em dois capítulos curtos no mangá (um para cada história secundária).

Uma dessas histórias excluídas envolve Sakamoto e Shin salvando Aoi (esposa de Sakamoto) de um assalto em um ônibus, onde Sakamoto para o veículo usando uma placa de “Pare”.

Acredita-se que essas histórias curtas foram cortadas por questões de ritmo. Colocá-las em episódios regulares tomaria cerca de 5 a 10 minutos de cada um, o que não faria sentido para um público que espera ansiosamente pelo desenvolvimento principal. O ideal, como sugerido, seria lançá-las como mini-episódios especiais.

Além disso, a ordem de alguns fatos foi alterada para manter a fluidez. Por exemplo, a informação sobre a Regra Número Um de Aoi (não matar) foi revelada no segundo episódio, no distrito chinês, embora no mangá ela apareça durante uma dessas histórias secundárias curtas. Essa realocação visa focar a narrativa na linha principal, tornando a história mais coesa.

A Recepção da Animação e Estilo Visual

Uma das grandes decepções para muitos, especialmente para quem não conhecia o mangá, foi a diferença entre o que foi prometido nos *PVs* e a obra finalizada.

1. **Expectativa vs. Realidade:** Os trailers sugeriam um anime de ação frenética e densa, muito mais inclinado a um estilo John Wick, com a comédia ficando em segundo plano, apenas no fato de Sakamoto ser um ex-assassino gordo. A obra animada, contudo, é apresentada como o inverso: uma comédia com ação de fundo.
2. **Estúdio TMS Entertainment:** A divulgação do estúdio TMS Entertainment também contribuiu para a queda do hype. Embora a TMS tenha trabalhos elogiados como *Dr. Stone* e *Megalobox*, a maioria de suas produções são vistas como medianas, com orçamentos limitados. Isso fez com que a expectativa de uma obra super detalhada e visualmente revolucionária diminuísse.
3. **Estilo Visual:** A animação utiliza cores mais opacas e uma abordagem visual simplista e minimalista, o que confere uma sensação de suavidade à história. Em momentos de ação, o anime opta por movimentos mais suaves e menos exagerados (ausência de magia ou elementos fantasiosos), focando na clareza visual para que o espectador acompanhe as cenas sem excessos.

Para quem busca ação pura, sem elementos de comédia sentimental, amizade ou família, este anime pode não agradar, pois ele prioriza o humor absurdo.

O Foco na Comédia Absurda

É crucial entender que Sakamoto Days é um anime de comédia bizarra com ação em segundo plano. O humor reside em absurdos que não são explicados, como:

  • Sakamoto pegar balas com a mão.
  • A mudança repentina de Sakamoto para sua forma magra após comer algo, e voltar a ser gordo ao consumir besteiras.

O mangá não explica esses fenômenos, e o anime também não o fará, pois a graça está em aceitar o absurdo.

Se a pessoa deseja uma narrativa mais realista ou focada apenas na ação pesada, este não é o produto recomendado. No entanto, se for apreciado como uma comédia maluca com ação, ele se torna muito divertido. A dublagem na Netflix, por exemplo, é elogiada como impecável.

Perguntas Frequentes

  • O que define o estilo de ação em Sakamoto Days?
    A ação é caracterizada pelo uso criativo de objetos comuns (panela, bala de goma) em combate, e a regra principal é não matar ninguém.
  • Como o anime lida com a fidelidade ao mangá?
    O anime é majoritariamente fiel, mas expande cenas de ação para dar mais destaque a Shin e omite arcos secundários curtos para manter o foco na narrativa principal.
  • Por que alguns fãs ficaram desapontados com a animação?
    A decepção ocorreu porque a expectativa, baseada em trailers, era de uma ação constante e densa, enquanto o anime prioriza a comédia, e o estúdio envolvido é conhecido por orçamentos mais medianos.
  • É possível entender o poder de Shin na adaptação?
    Sim, a expansão das cenas de ação deu mais tempo de tela a Shin, permitindo que o público compreenda melhor seu “superpoder”.
  • Qual a principal diferença entre o tom do anime e a expectativa inicial?
    A principal diferença é que a expectativa era de um anime de ação com leve comédia, mas a realidade é um anime de comédia com ação em segundo plano.

Para quem for assistir novamente, é recomendado focar na comédia bizarra e maluca de fundo de ação. A parte sonora, que acentua os impactos dos socos e chutes, também contribui muito para a experiência.