A Revolução Cinematográfica em Jujutsu Kaisen: Análise de uma Cena Polêmica
Um recente episódio de Jujutsu Kaisen gerou intensos debates devido a uma alteração significativa em relação ao material original do mangá. Enquanto alguns podem esperar que a qualidade da animação se resuma a explosões grandiosas, cores vibrantes e trilhas sonoras impactantes, a verdade é que, por vezes, a excelência reside na sutileza. Um trecho que poderia ter sido tratado com quatro minutos de ângulos estáticos transformou-se em algo digno de cinema, provando que a qualidade técnica transcende o espetáculo visual.
Neste artigo, mergulharemos nas decisões de adaptação feitas para o anime, focando nos eventos mais impactantes do episódio mais recente.
O Contexto do Episódio: A Busca por Hakari
O foco principal da narrativa é a tentativa de Fushiguro e Itadori de recrutar Hakari, um feiticeiro que Okkotsu descreveu como sendo mais forte que ele e que foi expulso da Escola de Feitiçaria de Jujutsu. O objetivo deles é trazê-lo para o plano de combater a Culling Game (Migração à Extinção), pois necessitam de feiticeiros poderosos para atingir a meta de 100 pontos e mudar as regras do jogo. Além disso, a urgência é alta para impedir que a irmã de Fushiguro seja forçada a participar dos jogos.
Contudo, o episódio não se inicia com esta busca. A cena que gerou mais controvérsia, por conta de uma mudança criativa na adaptação, surge mais adiante.
O arco narrativo do episódio começa com drama, com cenas impactantes de morte e luto, preparando o terreno para o que está por vir.
A Tragédia de Kenjaku e as Criações de Yaga
A narrativa explora a situação de Yaga, o diretor da Escola de Feitiçaria de Tóquio, que se encontra sob perseguição da cúpula conservadora de feiticeiros. Após o selamento de Gojo, este grupo conservador buscou consolidar seu poder, visando a execução de Itadori e a caça a Yaga, considerado perigoso.
Yaga é um personagem central neste ponto, sendo o responsável por incentivar a discórdia inicial entre Geto e Gojo, o que culminou nos eventos de Shibuya. Além disso, sua técnica envolve dar vida a cadáveres, inserindo almas em objetos inanimados. Essas almas se tornam sencientes e possuem energia amaldiçoada própria, independente de Yaga. Devido a esse poder alarmante, ele é classificado como um perigo, um feiticeiro de classe especial (nível S), capaz de formar um exército.
Yaga se torna persona non grata, e Panda foi mantido como isca para atrair Yaga e eliminá-lo.
A estrutura da sociedade de feiticeiros é notavelmente corruptível, ditada de cima para baixo pela cúpula e pelos três clãs principais. Não é à toa que Gojo e Geto se revoltaram contra essa rigidez, assim como Hakari, que também demonstra ser contra as normas estabelecidas, justificando sua expulsão.
No episódio, Hakari ajuda Panda a escapar, em parte devido a uma dívida antiga com Yaga. O artigo ressalta o quão bom Hakari é, mesmo sendo capaz de formar um exército sem depender diretamente de sua energia amaldiçoada.
Yaga, ao criar seres como Panda, oferecia conforto a pessoas enlutadas, como a mãe de um dos seus alunos que perdera o filho. O espírito do filho estava, na verdade, na forma de um cãozinho criado por Yaga, chamado Takeru.
A execução de Yaga ocorre, mas não sem antes o episódio construir uma longa dramatização do luto progressivo. Observa-se o sofrimento do personagem ao ver sua criação, Panda, ser usada como isca, e a dor de ser forçado a contar os segredos de sua técnica antes de morrer.
Uma interpretação levantada é que Yaga transmitia seu conhecimento como uma “maldição” para aqueles que ele tocou, incluindo Panda, pois expôs sua técnica. A morte altruísta de Yaga parece condizer com seu perfil de personagem que sempre priorizou terceiros.
Quando Panda se reencontra com Yaga, ele chora a perda, mostrando que via sua criação como um ser vivo e não um objeto descartável. A forma como Yaga defendia suas criações, protegendo-as em uma floresta protegida por Tengen, contrasta com a visão de que ele as via como meros instrumentos.
O Confronto em Kyoto e a Habilidade de Yaga
O diretor de Kyoto, Gakuganji, confronta Yaga, e Yaga é severamente ferido, parecendo não revidar. Discute-se por que ele não usou seu poder para se defender, apesar de ser um feiticeiro de nível especial em potencial. A explicação reside no fato de que Yaga nunca foi um indivíduo confrontador que buscasse exibir poder; ele se dedicou a aprimorar sua técnica em segredo, usando-a para fins altruístas — ensino e conforto — e não para violência.
A técnica de Yaga, simplificando, envolvia extrair a informação da alma através de meios físicos, um processo inverso ao que Marito realiza ao modificar almas diretamente. A questão levantada é se alguém conseguiria replicar essa técnica apenas com o conhecimento da informação.
A Luta na Colmeia e Kirara
Com dez dias restantes para o prazo final da Culling Game, a urgência aumenta, especialmente para Fushiguro, que deseja salvar sua irmã. Itadori e Fushiguro chegam ao “Clube da Luta” onde Hakari está, quebrando o estatuto de sigilo ao permitir que não-feiticeiros assistam aos combates.
Itadori luta contra Panda em uma encenação que é rapidamente desmascarada pela má atuação de Itadori. Itadori vence e atrai a atenção de Hakari.
A chegada ao Clube da Luta revela Kirara, figura crucial neste arco. Suspeita-se que Kirara seja a namorada de Hakari, a pessoa mais próxima dele, e que possui uma técnica de Jujutsu não revelada, mas que será explicada no próximo episódio. Essa habilidade permite a Kirara distorcer o espaço, impedindo que pessoas, como Panda, alcancem um local específico, como a sala onde Hakari estava.
Curiosamente, Kirara é retratada no mangá como um estudante jovem masculino na época de sua formação com Hakari, mas no anime aparece como mulher, sendo tratada como namorada por Hakari. Isso sugere que Kirara é uma personagem transgênero.
### A Cena Polêmica: Diálogo Estático
A grande alteração comparada ao mangá ocorre durante o diálogo entre Hakari e Yuji. Enquanto o mangá utiliza diversos quadros e ângulos de câmera dinâmicos para a conversa, o anime optou por uma abordagem radicalmente diferente:
* A cena é apresentada a partir de um ângulo fixo, como se uma câmera estivesse posicionada na entrada da sala.
* Os personagens (Hakari no sofá, Yuji em pé ou sentado) permanecem estáticos.
* Não há trilha sonora, apenas silêncio, exceto pelo celular de Hakari piscando e tocando incessantemente.
O que torna isso uma escolha ousada é a ausência de recursos tradicionais de tensão, como música de suspense, zooms dramáticos ou closes em expressões faciais. A fluidez é mantida apenas pelos movimentos corporais realistas de Hakari ao gesticular, pegar uma bebida e mover a cabeça.
O efeito dessa estagnação é criar um desconforto proposital no espectador, que se sente como um “fofoqueiro” observando algo que não deveria ver, sem pistas visuais ou sonoras sobre a tensão crescente.
No final, o toque do celular serve como um sinal de Kirara indicando que algo está errado do lado de fora, enquanto Fushiguro e Panda se preparavam para emboscar os guardas do Clube da Luta. Isso implica que Yuji estava fingindo não conhecer Gojo, pois Hakari percebeu que ele não era um enviado da Escola de Feitiçaria.
Apesar de ser um episódio de “transição” preparando para a luta principal da semana seguinte, a ousadia criativa na adaptação, evocando estilos cinematográficos não convencionais, como os de Tarantino, foi o que elevou esta parte da narrativa a um nível “cinema”.
Perguntas Frequentes
- Como Yaga conseguia dar vida a cadáveres?
Yaga extraía a informação da alma através de informações físicas, unindo três almas compatíveis de três seres falecidos dentro de um corpo para dar-lhe vida e consciência própria. - O que motivou a expulsão de Hakari da escola de feitiçaria?
Hakari era contra as regras estabelecidas pela cúpula conservadora e queria promover um ambiente como o Clube da Luta, o que ia de encontro com o estatuto de sigilo. - Qual a técnica de Kirara?
A técnica ainda não foi totalmente explicada, mas ela demonstrou a habilidade de distorcer o espaço, impedindo que outras pessoas chegassem a um local determinado. - É possível que a técnica de Yaga seja replicada por outros?
O autor levanta a dúvida se outros feiticeiros conseguiriam recriar sua técnica apenas sabendo o método exato de como extrair a informação da alma.






