Frieren Sendo Cancelado? Isso É Inacreditável

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A Polêmica Inesperada: Por Que o Anime Frieren Está Sendo Chamado de Fascista?

É surpreendente como, mesmo em obras aclamadas como *Frieren: Beyond Journey’s End* (*Frieren*), um anime admirado pelo seu ritmo mais lento e abordagem tocante, surgem alegações polêmicas. Recentemente, circularam discussões alegando que a história de *Frieren* seria “fascista”.

Embora pareça absurdo à primeira vista, especialmente considerando a profundidade e a sensibilidade que o anime demonstra em muitos aspectos, é fundamental analisar o que está por trás dessas acusações e por que discutir o óbvio, ou mesmo o desconfortável, pode levar a reflexões importantes.

O Que é Fascismo e Qual a Conexão com Frieren?

Sem a intenção de fazer um aprofundamento político detalhado, podemos definir o fascismo como um regime totalitário que implica o fim da democracia, o uso do militarismo e da força para coagir grupos e povos diferentes.

A grande questão é: o que essa ideologia teria a ver com *Frieren*?

O anime começa após o fim de uma jornada épica de heróis em um universo de fantasia RPG, onde o Lorde Demônio já foi derrotado. Acompanhamos Frieren, a elfa, que gradualmente descobre o valor dos sentimentos humanos, da amizade e das relações interpessoais, promovendo, em muitos momentos, um discurso contra a violência e a favor da vida cotidiana.

A confusão surge exatamente na maneira como certas raças são retratadas no universo ficcional.

A Dicostomia Entre Bem e Mal no Universo de Frieren

A principal linha de argumentação daqueles que rotulam *Frieren* como totalitarista baseia-se na apresentação dos demônios no mundo da série.

De acordo com essa visão, ao criar o povo demônio e colocá-lo à margem como 100% errado, ruim e que deve ser eliminado, a obra estaria promovendo uma desumanização do “outro”. Esse processo, argumentam, pode ser um paralelo perigoso com a desumanização de raças ou grupos marginalizados na vida real, que são tratados como inferiores e merecedores de extermínio.

De fato, até o momento da história analisada, existe uma clara dicotomia entre bons e maus. Os demônios são retratados como seres que não compreendem a noção básica de empatia humana. Em cenas marcantes, como a de uma demônia que, ao ser resgatada por humanos, não demonstra qualquer empatia e causa a morte de uma criança, fica evidente que, para essa raça, não existem sentimentos positivos como amor ou gratidão.

Argumenta-se que, ao estabelecer o povo demônio como inerentemente mau e merecedor de eliminação, *Frieren* estaria se alinhando a uma mentalidade extremista.

A Defesa da Liberdade Criativa na Fantasia

É crucial notar que *Frieren* bebe fortemente de conceitos tradicionais de fantasia, muito presentes em Dungeons & Dragons e na literatura de Tolkien, que frequentemente dividem o mundo entre seres humanos e criaturas monstruosas que são, por essência, más.

Atualmente, há uma tendência em popularizar a ideia de que todos os personagens, inclusive vilões, devem ter camadas complexas que expliquem suas atitudes cruéis. Contudo, a narrativa de fantasia clássica muitas vezes se apoia em arquétipos mais diretos: monstros são ruins simplesmente porque nasceram assim e sua função na história é ser o antagonista a ser combatido.

No contexto de *Frieren*, os demônios são colocados como uma entidade cuja própria natureza implica destruição. Não se trata de uma falha de roteiro, mas sim de uma escolha dentro do gênero de fantasia RPG. A história foca em questões humanas e sentimentais, mas isso não anula a existência de um inimigo que é, por definição, maligno e deve ser combatido pela sobrevivência do mundo civilizado.

Analisando Fora do Contexto Narrativo

O problema surge quando se utiliza um recorte específico — a existência dos demônios — para fazer um paralelo com a vida real e rotular a obra de forma categórica, ignorando a coerência narrativa interna.

A arte, uma vez lançada ao mundo, é ressignificada. É natural que o público utilize a obra como base para ensaios e teses, conectando-a com a realidade. Porém, usar um mundo de fantasia 100% ficcional para sustentar acusações pesadas como “fascismo”, baseando-se em argumentos falaciosos sobre a construção dos demônios, distorce o que o anime realmente propõe.

A Preocupação do Diretor

Essa discussão também dialoga com a preocupação recente expressa pelo diretor da obra sobre a popularização dos animes, especialmente no Ocidente. Ele notou que a grande popularidade global, embora traga mais números e produções, pode ser uma faca de dois gumes. O foco excessivo no público ocidental e no sucesso comercial pode levar à padronização, limitando a criatividade e a singularidade que historicamente caracterizaram as animações japonesas.

Essa pressão pelo sucesso imediato, imposta pelo mercado de *streaming*, exige repercussão rápida. Se um anime não gera engajamento imediato, ele corre o risco de não ser renovado. Isso prejudica autores novos que buscam inovar e se desviam dos moldes de consumo homogêneos, frequentemente encontrados no cinema ocidental.

A diferença cultural, que traz a riqueza das lendas, religiões e costumes japoneses para a fantasia, é o que torna obras como *Frieren* tão valiosas.

É fundamental ter consciência de que nossa bagagem cultural ao analisar uma obra japonesa é diferente da dos autores. Aplicar a mesma régua de análise para tudo gera distorções e rótulos sem sentido, ignorando a base narrativa e a intenção original da criação.

Perguntas Frequentes

  • Como a existência dos demônios em Frieren é usada para justificar a acusação de fascismo?
    A acusação se baseia no fato de que os demônios são retratados como inerentemente maus e merecedores de eliminação, o que, segundo críticos, espelha a desumanização de grupos minoritários na vida real.
  • Qual a principal função narrativa dos demônios na obra?
    No universo de fantasia de Frieren, que se baseia em arquétipos de RPG, os demônios funcionam como antagonistas essenciais, seres essencialmente ruins que ameaçam o mundo e devem ser derrotados.
  • Por que o diretor demonstrou preocupação com a popularização dos animes?
    Ele teme que a necessidade de sucesso rápido no mercado global de *streaming* force a indústria a seguir moldes homogêneos, limitando a criatividade e o espaço para narrativas mais singulares e trabalhos de maturação lenta.
  • É possível aplicar análises da vida real em obras de fantasia?
    Sim, a arte pode ser ressignificada, mas especialistas defendem que, para analisar a obra em si, deve-se priorizar a coerência narrativa interna e o contexto cultural em que foi criada, evitando generalizações falaciosas.
  • Qual a importância da cultura japonesa na construção da obra?
    A diferença cultural, incluindo elementos religiosos e de lendas locais, traz novidades e profundidade à fantasia, sendo um fator crucial para o apelo único do anime no cenário internacional.

É importante que, ao lidar com obras ricas e sensíveis como *Frieren*, possamos abraçar as diferenças e entender que nem todo vilão precisa de justificativas complexas; às vezes, ele é apenas o oposto necessário para a jornada do herói em um ambiente de fantasia.