O Verdadeiro Erro de Jujutsu Kaisen

o verdadeiro erro de jujutsu kaisen

A Polêmica do Poder de Satoru Gojo em Jujutsu Kaisen

O universo de *Jujutsu Kaisen* é frequentemente descrito como peculiar, e grande parte dessa singularidade é atribuída ao personagem Satoru Gojo. Embora possa soar contraditório, muitos fãs e críticos argumentam que o autor cometeu um erro ao criar um personagem com um nível de poder tão avassalador. Essa percepção sugere que a força imensa de Gojo poderia limitar as possibilidades criativas da narrativa e, pior, diminuir a importância do protagonista principal.

No entanto, este artigo tem o objetivo de provar por que Satoru Gojo é, na verdade, um acerto em todos os aspectos da obra e, ao final, identificar qual foi o verdadeiro erro do autor na estrutura da história.

Por Que o Poder de Gojo é um Acerto, Não um Erro

Desde a sua primeira aparição, fica evidente que Gojo é excepcionalmente forte. Ele demonstra isso ao humilhar maldições de nível especial com facilidade e ao desafiar a liderança da sociedade jujutsu de maneira debochada. Para ele, os desafios parecem simples, até que se revela seu passado e a origem de sua força.

Gojo nasceu com duas habilidades extremamente poderosas: os **Seis Olhos** e a técnica do **Ilimitado**. Contudo, o desenvolvimento e controle dessas habilidades tiveram um custo alto, alimentado por sua própria arrogância. Acreditando-se invencível, ele falhou em uma missão crucial e quase foi derrotado pelo mercenário Toji Fushiguro.

Toji superou Gojo de forma estratégica, desgastando sua energia amaldiçoada por três dias antes de atacar de surpresa. É importante notar que, naquela época, Satoru ainda não havia atingido seu auge. Faltava-lhe dominar uma das peças mais importantes de seu arsenal: a **Energia Amaldiçoada Reversa**. Apesar disso, Toji conseguiu ferir Gojo com a ajuda de ferramentas específicas.

As Ferramentas que Anulam o Invencível

Para vencer o Gojo, são necessárias contramedidas específicas. Toji utilizou a Lança Celestial Invertida, uma arma especial com o poder de anular qualquer feitiço, criando um ponto fraco na barreira impenetrável do Ilimitado.

Além disso, existe outra ferramenta capaz de desafiá-lo: a corda do Miguel, que confunde a técnica do adversário. O fato de dois personagens, que poderiam ser considerados inimigos do feiticeiro mais poderoso da obra, possuírem ferramentas que anulam suas habilidades demonstra o quão difícil é criar uma contramedida eficaz contra Gojo.

A Decisão Corajosa do Autor

Se a habilidade de Gojo era um problema, por que o autor não introduziu mais armas ou feitiços para dificultar sua vida? A verdade é que o autor fez o oposto: Gojo destruiu intencionalmente as duas armas que funcionavam contra ele, deixando-se completamente vulnerável de propósito.

Essa decisão é plenamente compreensível e demonstra coragem por parte do criador, pois limita deliberadamente as opções de construção da narrativa. Contudo, isso não é o maior problema. O ato de anular essas ferramentas apenas complicou a solução para os desafios futuros.

O Propósito da Força de Gojo

O motivo por trás da imensa força de Gojo é simples: ele foi criado para ser o contraponto ao maior vilão da obra, Ryomen Sukuna. Ambos foram introduzidos logo no início e bem desenvolvidos: Gojo representa a solidão de ser o mais forte, enquanto falha miseravelmente em sua responsabilidade de proteger a todos; Sukuna atua como uma ameaça interna ao protagonista, Itadori, ao estilo de Kurama em *Naruto*, mas sem se tornar um aliado.

Essa dinâmica de duas ameaças em equilíbrio cria uma tensão narrativa, embora o tabuleiro fosse controlado pelo vilão principal, Kenjaku.

Essa importância toda transforma Satoru Gojo no maior pilar da história. A coragem do autor em seguir esse caminho é justificada pelo perigo que a história precisa apresentar.

Ao elevar o nível de poder do universo, o autor constrói um mundo assustador para os protagonistas. Gojo é apenas o sensei do trio Itadori, Megumi e Nobara, jovens feiticeiros em desenvolvimento que se veem em uma guerra com um nível de poder tão alto que torna a evolução dos novatos, às vezes, inútil.

Tensão e Imprevisibilidade

A imprevisibilidade e o suspense sobre como os conflitos serão resolvidos criam uma tensão magnética. O leitor precisa saber o desfecho, mas antecipa que ele será violento. Isso gera uma conexão de ansiedade e medo, pois qualquer personagem pode morrer a qualquer momento.

Essa experiência é potencializada pela admiração: a maioria dos obstáculos não representa nada para o Gojo, transformando-o na maior força do anime – o sensei carismático e brincalhão que é o pilar central da obra. Essa dualidade é explorada em múltiplas camadas, pois sua personalidade extrovertida esconde uma profunda solidão e frustração.

O apreço por personagens extremamente poderosos é comum em animes, como visto no sucesso de outros personagens como Goku ou Zarc. No entanto, muitos alegam que o carisma de Gojo ofuscou a importância do protagonista, Itadori.

Isso é fake. Satoru Gojo conquistou sua relevância com carisma, mas é um dos personagens que menos aparece na obra inteira.

* Ele foi selado fora da arena durante a competição entre colégios, ficando de fora da maior batalha da primeira temporada.
* Quando ele entra em ação, como contra Hanami, ele o aniquila com um só golpe.
* No Arco do Retrocesso dos Yōkai, o objetivo de Geto era tirá-lo de cena para poder enfrentar Yuta e roubar Rika.
* No Massacre de Shibuya, Gojo foi selado logo no início e só foi libertado perto do fim do arco, para enfrentar Sukuna e, consequentemente, morrer.

Resumindo, Gojo teve menos tempo de tela do que muitos personagens principais. Seu poder foi um acerto tão grande que a tensão dos arcos girava em torno de quando ele apareceria ou retornaria. Esse perigo e essa mistura narrativa valorizaram os feitos dos personagens com menos poder, como o trio protagonista, que, mesmo em desenvolvimento, demonstrou coragem e garra.

O Verdadeiro Erro do Autor

Embora Gojo seja um sucesso, há um erro fatal no roteiro que estragou o arco final.

Quando Satoru Gojo foi libertado de sua prisão, ele imediatamente desafiou Sukuna em um duelo individual. Os fãs esperavam a maior luta do anime: de um lado, Sukuna, o mestre das maldições transformado na maldição mais poderosa; do outro, Gojo, o feiticeiro mais honrado. Este era o ápice do mundo jujutsu.

Este é o grande erro: por mais que Sukuna seja o inimigo mais poderoso, a luta mais esperada da série não se tornou a luta final.

O foco do Jogo do Abate era libertar Gojo, que era a chance mais provável de deter Kenjaku e a destruição mundial. No entanto, no desenrolar do arco, Sukuna toma o corpo de Megumi e sua técnica inata, as Dez Sombras.

Com isso, começa o arco de preparação de Sukuna, que estava visando dominar o corpo de Megumi desde o início, especificamente para derrotar Satoru Gojo.

Sukuna não sabia como anular o Ilimitado e precisava da arma secreta das Dez Sombras: uma entidade que se adapta a tudo, para que pudesse aprender a anular o poder de Gojo. Fica claro que, mesmo com 19 dedos, Sukuna sozinho não seria capaz de derrotar Gojo com sua técnica inata, o Santuário Malevolente, pois ele recorreu às técnicas de outro personagem. A história cita que o único capaz de derrotar um portador dos Seis Olhos e do Infinito foi o ancestral do clã Zenin, que também possuía o feitiço das Dez Sombras.

O problema real não é a força de Gojo, mas a sustentação da luta final após a melhor luta do anime. Como sustentar o clímax final após a batalha mais aguardada?

O grande erro de Gege Akutami foi antecipar a luta mais esperada da obra para tentar dar protagonismo a Itadori.

Como Poderia Ter Sido Melhor

Uma construção alternativa, inspirada em *Hunter x Hunter* durante o arco das Chimera Ants (onde Gon não era páreo para Meruem), poderia ter mantido Gojo selado até o final. A liberação de Gojo poderia ser o objetivo da luta final contra Sukuna.

Nessa versão, os outros personagens se dividiriam para enfrentar as Dez Sombras de Sukuna. Isso permitiria que todos participassem de forma mais harmoniosa, culminando na batalha derradeira entre Satoru e Sukuna.

Neste cenário, Sukuna usaria o Santuário Malevolente, já que as Dez Sombras estariam neutralizadas pela batalha anterior, tornando o confronto mais justo e interessante. Gojo poderia, sim, morrer, sacrificando-se para eliminar a maldição mais temida, reservando a luta épica para as páginas finais da história, o que jamais permitiria a existência de Kenjaku.

Essa estrutura daria a relevância necessária a cada personagem e destacaria ainda mais a luta entre Sukuna e Satoru, que é muito mais do que merecida.

Apesar desse ponto de questionamento narrativo, Satoru Gojo é um dos raros personagens que “estourou a bolha”, tornando-se um fenômeno de popularidade, gerando homenagens e consolidando *Jujutsu Kaisen* como um dos animes mais populares de sua década. Sem ele, nada disso seria possível.

Perguntas Frequentes

  • O que são os Seis Olhos e o Ilimitado?
    Os Seis Olhos são uma técnica visual extremamente rara que confere percepção aprimorada e eficiência no uso de energia amaldiçoada, enquanto o Ilimitado é uma técnica que manipula o espaço ao redor do usuário, tornando-o efetivamente intocável.
  • Qual foi a ferramenta utilizada para neutralizar Gojo no passado?
    A ferramenta usada por Toji Fushiguro para ferir Gojo foi a Lança Celestial Invertida, que tem a capacidade de anular qualquer feitiço ao criar um ponto fraco na barreira do Ilimitado.
  • Por que Sukuna buscou as Dez Sombras?
    Sukuna recorreu à técnica das Dez Sombras porque ele não sabia como derrotar o Ilimitado de Gojo, e a técnica das Dez Sombras continha um elemento adaptável que o ajudaria a encontrar uma maneira de anular o poder de Gojo.
  • É verdade que Gojo aparece pouco na obra?
    Sim, apesar de seu imenso poder e popularidade, Gojo passou grande parte da narrativa selado ou fora de combate, aparecendo menos em tela do que muitos outros personagens centrais.
  • Qual é o grande erro estrutural apontado no artigo?
    O principal erro apontado é a antecipação da luta entre Gojo e Sukuna, que deveria ter sido o ápice da história, mas ocorreu antes do final, diminuindo o impacto do confronto final com o protagonista.