Os Melhores Animes da Última Temporada de Outubro: Uma Análise Pós-Temporada
A última temporada de animes do ano chegou ao fim, permitindo-nos ter uma visão clara sobre quais foram as maiores surpresas, aqueles que mais chamaram a atenção e que mantiveram a qualidade ao longo de seus episódios. É o momento ideal para classificar os melhores lançamentos de outubro.
Embora esta temporada em comparação com outras do ano possa ter parecido um pouco mais fraca, ainda foi possível aproveitar bastante o conteúdo, com algumas obras que geraram opiniões divididas, mas que, pelas notas recebidas, confirmaram seu valor. A referência utilizada para as notas é baseada no site MyAnimeList.
É importante notar que a ordem deste artigo não representa um ranking do melhor para o pior, ou vice-versa.
Sanda: A Peculiaridade da Autora
Um dos animes que gerou bastante discussão foi o peculiar **Sanda**. Ele ficou com uma nota média boa, embora um pouco abaixo do esperado antes do lançamento, indicando que a obra não é ruim.
A história se passa em um Japão onde crianças são raras e adultos são vistos como ameaças. Um garoto descobre sua ligação com o mito do Papai Noel, que foi banido e tratado como uma figura perigosa. A partir disso, ele se envolve em uma luta contra um sistema que persegue os jovens, misturando ação, fantasia e crítica social.
A diversão com *Sanda* foi garantida, mas o que pode ter afastado parte do público foi a expectativa criada pela semelhança com *Dandadan*, já que ambos foram adaptados pelo mesmo estúdio, apresentando uma animação com pegada meio monocromática e uma comédia beirando o absurdo.
Deve-se lembrar que a autora de *Sanda* também é responsável por *Look Back* (mencionado como *B Stars* na transcrição), que aborda temas um pouco mais sérios, com crítica social e um toque de comédia. É por isso que *Dandadan*, apesar de parecer uma loucura generalizada, tem uma coerência interna. *Sanda*, por outro lado, pode parecer totalmente desconexo, pois seu foco não é a comédia bizarra, mas sim a crítica que se pode extrair das entrelinhas.
Algo similar aconteceu com *Sakamoto Days* no início da primeira temporada, onde as expectativas iniciais mudaram ao longo da exibição. Apesar das diferenças em relação ao mangá original, *Sanda* manteve um ritmo agradável e uma boa apresentação. A química entre Sanda e Fuyumurá foi considerada melhor do que a dupla principal de *Dandadan*, mesmo que não seja tão focada no romance.
The Faded Magical Princess: Uma Surpresa Chinesa
Outra grande surpresa foi **The Faded Magical Princess**, um mangá adaptado por um estúdio chinês, mas que recebeu dublagem em japonês, unindo o melhor de dois mundos. Os fãs da obra original notaram que a adaptação não seguiu o material fonte fielmente.
A premissa original envolvia uma garota que reencarna como uma princesa condenada à morte pelo pai. Ao saber desse destino trágico, ela usa seu conhecimento geral para tentar mudar o rumo da história. É uma mistura de fantasia e drama, com uma protagonista lutando para sobreviver em uma narrativa com um fim aparentemente pré-escrito.
Alguns elementos foram alterados ou removidos, especialmente em relação a termos como “isekai” (citado como “isai” e “seekai”), devido a restrições culturais na China. Em vez de usar o termo explicitamente, a abordagem é mais sutil, utilizando “transmigrar” de forma discreta.
Apesar dessas alterações, a obra foi muito bem recebida, indo de “boa” a “muito bom”, pois a animação é bonita, consegue prender a atenção, e a personagem principal é carismática. A evolução da protagonista é mais gradual, o que difere da maioria dos animes do gênero, onde o destino e as ações do personagem principal são revelados logo no primeiro episódio.
A narrativa embaralha um pouco a ordem cronológica, escondendo ou retirando elementos, mas ainda assim proporciona bastante diversão.
Tima Tanzaburo (Tima Wants to Be a Kamen Rider): A Comédia Caótica
**Tima Tanzaburo** (também conhecido como *Tima Wants to Be a Kamen Rider*) foi considerado um dos melhores dessa temporada. É uma viagem total, uma mistura caótica de vários gêneros com momentos constrangedores.
A obra funciona bem porque acompanha um homem de 40 anos que nunca desistiu do sonho de ser um Kamen Rider, mesmo que o mundo lhe diga que isso é coisa de criança. Inesperadamente, ele se envolve em um ataque real de uma organização criminosa, tendo a chance de viver o que sempre admirou.
A mistura de gêneros agrada a um público maior, e a surpresa aumentou a cada episódio com o surgimento de novos personagens e a confirmação de que os monstros realmente existem, e os heróis (entre aspas) são realmente fortes.
Os personagens são carismáticos, com papéis bem definidos e personalidades distintas, unidos para entregar uma comédia que beira o absurdo. O traço exagerado, especialmente nas reações de vergonha ou entusiasmo (com as bochechas rosadas e expressões faciais exageradas), contribui para o humor. A parte sonora é notável: a música de fundo complementa a ação/comédia, os gritos dos monstros são engraçados, e até sons aleatórios, como latidos de cachorro no silêncio, ajudam a ambientar as cenas.
Gnóia: Mistério em Looping Temporal
**Gnóia** foi outra surpresa, pois inicialmente não se esperava muito. A animação é bonita, e o mistério sobre para onde a narrativa se dirige é envolvente.
A história se passa em uma nave espacial onde parte da tripulação é infectada por um vírus chamado *Gnóia*, que se disfarça de humano para eliminar os demais. A cada ciclo, os personagens discutem e votam para colocar alguém em sono criogênico, tentando descobrir quem está mentindo.
O protagonista está preso em um tipo de *looping* temporal, mas não revivendo o mesmo dia, e sim pulando entre diferentes linhas do tempo para tentar descobrir a verdade. A cada repetição, quem era o *Gnóia* pode mudar, assim como os tripulantes. Isso cria uma dinâmica parecida com um *Among Us*, mas com mais narrativa, onde cada repetição traz novas pistas.
Embora o protagonista não seja fã de animes muito extravagantes (como aqueles com personagens de cabelos de todas as cores), *Gnóia* funciona bem porque a premissa permite essa loucura, já que os envolvidos são de diversas espécies alienígenas. O ponto alto é a dinâmica de encontrar o(s) *Gnóia*, com pistas sutis sendo dadas. Acertar quem é o infectado gera satisfação, e errar leva a reviravoltas surpreendentes.
O único ponto difícil de aceitar é a presença de uma Inteligência Artificial na nave que consegue distinguir humanos de *Gnóias*, mas que, por diretrizes bobas, não pode agir, forçando o uso das votações — o que é bem conveniente para a trama.
O fato de o anime provir de um jogo ajuda a justificar essa falta de coerência estrita, já que em jogos, o foco é a diversão e não a lógica narrativa.
The 1726 (Histórias Curtas de Fujimoto)
Temos também o conjunto de oito histórias curtas de Tatsuki Fujimoto, intitulado **1726**. Com exceção de uma ou duas, todas foram adaptadas por estúdios diferentes, refletindo a diversidade de cada conto.
Cada história tem um tom e uma pegada totalmente distintos, variando de comédia a drama pesado, de ação a romance, sempre acompanhados de críticas sociais e abordagens filosóficas. Isso se encaixa na comédia ácida que agrada a muitos, pois há temas para todos os gostos. Para quem gosta de assuntos abordados com uma perspectiva mais adulta, incluindo palavras mais fortes ou questões sexuais (que fazem sentido dentro do contexto de cada narrativa), este conjunto será um deleite. Há até um *spin-off* de uma personagem de *Chainsaw Man* (*Nauta*) que ainda aparecerá futuramente.
Filmes que Chegam em Breve
Três filmes merecem menção como possíveis destaques, embora tenham saído apenas nos cinemas até o momento da análise e devam chegar aos serviços de *streaming* no próximo ano:
* **Riakuemu**: Do mesmo autor de *Blue Lock* (*Orby*), este filme foca na corrida de 100 metros. Acompanha um prodígio das pistas que reencontra um antigo rival, determinado a vencê-lo. A jornada de amadurecimento e confronto pessoal é contada através da corrida, com uma animação peculiar que parece utilizar rotoscopia (animação feita sobre imagens reais). Apesar da estranheza visual, possui um fundo emocionante e dramático que funciona bem.
* **Rateshinak Scarlet**: A história de uma princesa que, após falhar em vingar a morte do pai, acorda no mundo dos mortos. Lá, ela precisa derrotar seu maior inimigo, ou desaparecerá para sempre. O filme utiliza 3D CGI muito bem feito, sem parecer quadrado ou com movimentação estranha, conferindo um tom épico à ação.
* **Rusenka**: Conquistou logo pela sinopse, que descreve um idoso preso conversando com uma flor em sua cela. Através desses diálogos, ele revisita seu passado como um antigo Yakuza e os laços perdidos com sua esposa e filhos. Este título promete ser bastante emocionante, com uma pegada dramática e melancólica que agrada muito.
Perguntas Frequentes
- O que é o site MyAnimeList (MAL)?
É uma plataforma online popular onde usuários catalogam, avaliam e debatem sobre animes e mangás, servindo frequentemente como referência para notas de popularidade e qualidade. - Como a animação de “Sanda” se compara à de “Dandadan”?
Ambos foram adaptados pelo mesmo estúdio e compartilham uma estética visual semelhante, por vezes monocromática, e uma pegada de comédia absurda. - Por que “The Faded Magical Princess” não usa o termo “Isekai” explicitamente?
A adaptação, sendo chinesa, tende a evitar a palavra “isekai” ou ser menos explícita sobre o conceito de transmigração devido a restrições culturais, usando termos mais genéricos como “transmigrar”. - Qual é o conceito central de “Gnóia”?
É um anime de mistério e suspense em uma nave espacial, onde a tripulação tenta identificar membros infectados por um vírus (os *Gnóias*) que se passam por humanos, utilizando um sistema de votação e pulando entre diferentes linhas do tempo. - Qual a característica principal das histórias curtas do “1726”?
São oito contos com tons drasticamente diferentes (ação, drama, romance, comédia), todos abordando temas complexos, críticas sociais e diálogos filosóficos, muitas vezes com humor ácido e linguagem adulta.






