Os Destaques Inesperados e as Surpresas da Temporada de Anime
O início desta temporada de animes trouxe algumas surpresas notáveis. Houve títulos que pareciam promissores, mas se mostraram medianos ou até ruins, e outros que eram esperados como decepções, mas surpreenderam positivamente. Alguns, inclusive, conseguiram superar significativamente as expectativas iniciais.
Embora seja precipitado julgar uma série com apenas um, dois ou até três episódios lançados, certos animes novos chamaram a atenção, especialmente aqueles considerados clichês. Muitos esperavam que esses títulos fossem medianos ou fracos, seguindo um roteiro previsível, mas que, no entanto, agradam aos fãs de gêneros específicos.
Observou-se uma leve melhoria na forma como esses animes introduzem suas histórias, dedicando tempo suficiente para construir uma introdução mais decente, em vez de apressar a ação nos primeiros segundos, momento em que, muitas vezes, já se consegue prever todo o enredo. Isso é comum em tramas onde o protagonista é expulso de um grupo de heróis, apenas para revelar ser *overpower* e cercado de admiradoras. Felizmente, muitos títulos desta temporada trouxeram variações mais interessantes a essa fórmula.
A variedade de animes lançados atende a diversos gostos. Mesmo que um tema ou gênero específico não seja do seu agrado, certamente haverá algo nesta lista que se encaixará no que você procura.
Clichês com um Toque de Diferença
Começando pelos animes considerados clichês, que não geravam grandes expectativas, surgiram elementos mais interessantes ou que agradam aos aficionados por certos estilos, como a adaptação de *Nidukai Dojin Ken B Ken Shonit Jo*.
A premissa gira em torno de um aventureiro muito querido em sua vila que, ao explorar uma *dungeon*, encontra uma garota presa em um *slime*. Ele passa a cuidar dela por obrigação, mas gradualmente desenvolve uma relação paternal. Este anime se destaca por dedicar tempo nos minutos iniciais para explicar o passado do aventureiro, revelando que ele teve uma vida difícil e foi rejeitado, o que justifica seu carinho pela garotinha, que também foi abandonada.
Essa base narrativa mais sólida proporciona uma dinâmica fofinha e engraçada, gerando boa diversão, especialmente pelas caretas e trejeitos da garota, que tenta parecer forte, mas não é. A história segue bem até um ponto em que ela cresce e volta ao tamanho de criança, remetendo ao estilo de *Nesco*.
No entanto, surge uma complicação: um segredo sobre a garota é revelado logo no final do primeiro episódio. Questiona-se a necessidade de apressar essa revelação, visto que o início era promissor. A esperança é que a narrativa se mantenha na dinâmica de pai e filha com um segredo mais leve, sem se tornar algo estranho.
Outro título com uma abordagem inicial mais elaborada foi *Yar o Oaretak Bimbou*. O início é notável pela longa duração da cena de exclusão do protagonista do grupo, batendo recordes de tempo para tal cena. O anime trabalhou melhor o motivo dessa exclusão.
Um detalhe notável são as cenas de ação, que utilizam 3D de forma bem aplicada, mantendo a qualidade visual sem parecer quadrado ou estranho, fluindo de maneira agradável. Isso merece reconhecimento da equipe de produção, pois demonstra que é possível usar 3D eficientemente mesmo em obras com orçamento mais modesto.
A trama segue o clichê do protagonista expulso por ser considerado inútil, mas que, na verdade, domina magias de suporte poderosas. Ele faz novos amigos, entra em outro grupo e se estabelece como alguém muito forte. É o básico que agrada quem curte personagens *overpower* em cenários de fantasia.
Para os fãs de *Isekai* com protagonista feminina, como *Zakuyakura e Jo*, temos *The Holy Grail ofis* (ou *Aries*), que foge um pouco do padrão. Não é uma reencarnação direta (*Isekai*), nem foca em romance, mas sim em vingança. A protagonista é acusada e traída pelo noivo e outras pessoas. Ao pedir ajuda, o espírito de uma nobre assassinada, tida como vilã, a possui. Esse espírito resolve a situação expondo a verdade sobre os traidores publicamente. Em troca da ajuda, a garota atual deve auxiliar o espírito em sua vingança. O anime começou com uma nota mediana, mas o momento de exposição dos mentirosos foi um ponto alto, prometendo potencial se mantiver essa abordagem.
As Decepções e a Repetição de Fórmulas
Por outro lado, houve animes que entregaram menos do que o esperado, como *Kahan Koakunai*. A história foca em uma garotinha estranha cujas ações são incompreensíveis e até violentas. A professora descobre que ela luta contra espíritos do mal para proteger a todos na base da força bruta.
O problema da adaptação foi a execução desequilibrada de drama, comédia e suspense. A personagem, *Kaatan*, deveria ser uma garotinha problemática que causa confusão, mas suas atitudes pareceram mais egoístas e birrentas, como qualquer criança comum. Faltou profundidade para expressar melhor os momentos intensos, como as lutas ou a descoberta dos poderes pela professora. As cenas passam muito rápido, impedindo a criação de um sentimento genuíno. Apesar disso, a personagem consegue ser engraçadinha em momentos pontuais.
Outros títulos de fantasia e *Isekai* parecem repetições da mesma fórmula, apenas trocando nomes, como *Nobel Reincarnation*, *Born Blessed*, e *Soul I Obtain Ultimate Power*. São *Isekais* previsíveis, agradando apenas aos mais viciados no gênero. O protagonista nasce em uma família real com habilidades *SSS* e poder ilimitado, crescendo e protegendo o reino. O que causa estranheza é o apelo desses animes, onde crianças com menos de 10 anos são mais fortes e inteligentes que adultos, o que, em vez de contraste, resulta em algo imbecilizado.
A mesma crítica se aplica a *Majutshiu no Ameteiru*. Apesar de ter momentos divertidos, como o protagonista se comportando de forma boba, a aventura geral é sem alma. A história envolve um garoto cego que desenvolve o domínio da água e busca uma nova forma de enxergar o mundo. A evolução de seu poder é extremamente rápida, e o protagonista se veste de maneira mais extravagante que o próprio rei, o que parece sem nexo.
Em *Kirakuri ou Shuno Tanoshi*, um *Isekai* onde um garoto da realeza prodígio, reprovado nos quatro elementos, é enviado para cuidar de uma vila pobre, ele constrói uma cidade pacífica e próspera. É o clichê do garoto de 10 a 12 anos que faz tudo melhor que os adultos. O ponto negativo aqui é a presença forçada de personagens que imploram para ser escravos do protagonista, uma tentativa artificial de demonstrar sua bondade.
Finalmente, em *Hell Mode*, apesar de ser um *Isekai* onde o protagonista renasceu com todas as dificuldades máximas do modo *hardcore* de um jogo, ele não apresenta a dificuldade prometida, sendo um *Isekai* normal e tranquilo. Ele consegue habilidades rapidamente e sobrevive sem grande esforço.
Os Sucessos Inesperados
Felizmente, a temporada trouxe grandes surpresas. *Sentença Bebia Her*, por exemplo, recebeu uma nota alta logo na estreia. O anime se passa em um mundo onde ser herói é algo negativo, pois o título é dado a prisioneiros usados para lutar contra o exército do Lorde Demônio e impedir uma maldição. Ao morrerem, são ressuscitados, mas perdem a humanidade. O foco é no líder desses heróis, que encontra a chave para acabar com a guerra e se vingar de quem o condenou.
A qualidade de animação, a ação frenética, os ângulos cinematográficos e, principalmente, a condução da narrativa foram excelentes. O suspense criado até o final do episódio para revelar o que aconteceu com o protagonista, e a forma como sentimentos como raiva e ódio são transmitidos, são pontos fortes. A animação é superior até mesmo ao mangá original, melhorando significativamente o material de origem.
*Ikokunque* é outro que surpreendeu, com uma pegada mais dramática e profunda, recebendo uma nota inicial de 7.91. A história segue uma garota de 15 anos que perde os pais e vai morar com a tia, uma escritora introspectiva. O cotidiano, a forma como se acertam e superam problemas, e a revelação gradual de seus passados, mostram o quão perdida a garota se sente no mundo adulto. O ritmo lento, mas não chato, permite o desenvolvimento dos personagens e a construção de um bom sentimento. A equipe de produção tem experiência em romances, o que é visível na qualidade.
Para quem gosta de romance, *Seanta Kim Tobo* trouxe uma explosão de energia e diversão que não cansou no primeiro episódio. A protagonista extrovertida é apaixonada pelo colega quieto e sem graça ao lado dela. A dinâmica entre eles, cheia de comédia e momentos pontuais de romance, flui de maneira natural. O anime se destaca por não tentar sexualizar as personagens e por manter um ritmo direto, com personagens secundários relevantes ajudando a desenvolver a relação central.
Ainda no campo do romance, *Tamonkum Doti* agrada ao público que prefere um estilo mais “purinho”, semelhante ao anterior em termos de foco na protagonista carismática, mas com um toque de humor mais energético, sem ser caótico. A história envolve uma garota apaixonada por um *idol* que, por acaso, ela conhece. O contato breve os ajuda mutuamente a superar problemas e constrói o romance de forma bem adolescente e expressiva.
Perguntas Frequentes
- Como o anime *Yar o Oaretak Bimbou* utiliza o 3D?
Ele utiliza 3D em cenas de ação com boa qualidade, evitando o visual quadrado e estranho, o que é elogiado por ser bem aplicado mesmo em uma obra de nível mediano. - O que é o diferencial do anime sobre o aventureiro e a garota do slime?
O diferencial é a construção da base narrativa inicial, dedicando tempo para explicar a vida difícil do aventureiro e o abandono da garota, o que justifica o carinho paternal desenvolvido. - Por que *The Holy Grail ofis* é diferente de outros *Isekai* femininos?
Ele foge do padrão *Isekai* de reencarnação e romance, focando em um enredo de vingança após o espírito de uma vilã possuir a protagonista para expor traidores. - Qual o principal ponto negativo apontado em *Kahan Koakunai*?
A execução esquisita e desequilibrada dos elementos de drama, comédia e suspense, fazendo com que as passagens importantes não criem o sentimento necessário no espectador. - Qual a crítica principal aos animes com crianças *overpower* como em *Kirakuri ou Shuno Tanoshi*?
A crítica é que colocar crianças extremamente fortes e inteligentes em posições de liderança, sem profundidade, resulta em histórias que parecem imbecilizadas e forçadas.






