Indicações de Mangás: Variedade de Gêneros e Histórias Intensas
Espero que esteja tudo maravilhosamente bem com vocês. Este artigo trará algumas sugestões de mangás que foram considerados bastante interessantes, abrangendo obras lidas recentemente e outras que já fazem um bom tempo, mantendo a tradição de trazer uma variedade de gostos para os leitores.
Kutigasakitemukima: Romance Sobrenatural com Lendas Urbanas
Começamos com o mangá intitulado Kutigasakitemukima. A descoberta desta obra foi um tanto inusitada, pois ocorreu durante a busca por outro título, digitando algo incorreto sem saber exatamente o quê. Ao ver a página de um dos volumes, fui capturado pela arte e comecei a ler, sem conseguir parar depois.
Este mangá apresenta um romance com uma forte pegada sobrenatural. Em alguns momentos, a arte é surpreendente, beirando o bizarro, justamente por ser inserida em um contexto romântico. A obra explora várias lendas urbanas japonesas, que são criadas a partir do medo coletivo. Uma lenda urbana, em essência, é uma história de assombração que, ao ser passada de pessoa para pessoa, ganha forma física, literalmente encarnando. Para se manter viva, a lenda depende de ser lembrada; se poucas pessoas souberem dela, ela desaparece.
A grande lenda central deste mangá é a Kutsakeona, uma mulher com as laterais da boca rasgadas até a altura das orelhas, que aterroriza as pessoas perguntando se ela é bonita.
Essa lenda assustava pessoas há muitos anos, mas tudo muda quando ela se depara com um garoto do ensino fundamental. As coisas tomam um rumo diferente: o garoto se apaixona por ela e realmente a acha muito bonita. Anos depois, já no ensino médio, a convivência entre eles se intensifica com o início de uma aposta: eles viverão juntos por um ano. Se ela conseguir assustá-lo, ela parte em paz; mas se ele a fizer se apaixonar, eles se casarão.
Embora a lenda urbana possa parecer até fofinha inicialmente, ela retorna com suas características mais assustadoras, muito bem desenhadas. Além disso, o contexto do garoto é uma incógnita que se revela gradualmente. Sua família possui um certo poder e utilizava as lendas urbanas para algum propósito. O garoto tem uma conexão muito maior com o mundo sobrenatural do que se imagina, e a obra aborda temas como aceitação pessoal e o drama do desaparecimento ou morte de entes queridos, o que confere profundidade ao enredo.
As lendas urbanas e suas origens são explicadas no meio do romance, o que impede que a história se torne unicamente focada no romance. Ela equilibra romance, comédia, drama e, principalmente, o traçado sobrenatural de forma muito bem executada.
Suishida: Um “Bociro” de Ação e Poderes
O segundo mangá indicado é de Suishida, o mesmo autor de *Tokyo Girl*. Quem gostou dessa obra anterior, certamente apreciará esta também. Embora muitos apontem semelhanças com o trabalho anterior, em minha visão, este título é a descrição exata de um “bociro” (gênero/tipo de obra).
É indicado para quem busca reviver a sensação de um mundo com superpoderes, onde um garoto sem grandes conquistas obtém um poder e evolui. Ele ingressa em uma escola para aprender a usar melhor sua habilidade, com cenas de ação, comédia e momentos mais sérios e intensos.
Neste mundo, pessoas com poderes são chamadas de chinans e possuem uma vasta gama de habilidades, como controle de fogo, criação de espadas gigantes, e transformações híbridas entre humano e animal. O protagonista é um garoto comum que desenvolve uma ligação de dependência muito forte com seu amigo, que é extremamente poderoso e sempre o salva.
Tudo começa quando, para salvar esse amigo, o protagonista precisa usar uma injeção ou “elemento X”, o que resulta em uma transformação grotesca e, ao mesmo tempo, muito legal. É a partir daí que ele descobre toda uma organização de “chins bons”, que treinam outros para usarem seus poderes de forma decente, em oposição a bandidos ou organizações clandestinas (lembrando a Liga dos Vilões de *Boku no Hero Academia*).
O interessante é o desenvolvimento da trama, dando tempo para o garoto entender o que está acontecendo e aprender a usar seu poder (ele pode até falar com pombos). Novos personagens se juntam formando um time, acompanhando o crescimento pessoal de cada um.
Gatakuta: Um Mundo Dark e Distópico
O terceiro mangá é de Gatakuta. A adaptação deste título está prevista para chegar em 2025, e seu *PV* (vídeo promocional) foi lançado recentemente. Foi uma obra maravilhosa de se ler.
Ele possui uma pegada mais *dark* e pesada. O autor trabalhou com o criador de *Fire Force* e *Soul Eater* em outros trabalhos, o que é perceptível no traço, que é um pouco mais sombrio.
A premissa é intrigante: imagine um mundo onde a sociedade vive em uma cidade flutuante acima das nuvens, sem saber o que há na superfície da Terra. A sociedade lá em cima é rigidamente dividida entre ricos e pobres. O protagonista é um garoto pobre que adora vasculhar o lixo dos ricos para reutilizar objetos.
Após uma dessas incursões no lixão, ele encontra seu pai adotivo morto e é acusado de assassinato, sendo condenado à morte por abismo – ou seja, jogado para a superfície da Terra junto com o lixo. Ao cair, algo bizarro acontece entre as nuvens, adicionando suspense.
Ao chegar na superfície, ele descobre que o lixo jogado de cima tem um “sentimento” e, quando acumulado, se transforma em monstros. Para combatê-los, há humanos chamados givers, que conseguem utilizar algo específico (que também carrega um sentimento) e transformá-lo em arma.
A criatividade da obra reside nisso: digamos que você tenha um item herdado de um ente querido ou algo que ama desde pequeno (como um fone de ouvido); em um combate, esse objeto se transforma em uma arma bizarra e criativa. Os *givers* protegem os habitantes da superfície. Há uma organização boa e outra má entre os *givers*, gerando conflitos e muitas lutas. O protagonista também possui poderes herdados de seu pai adotivo, um par de luvas que podem gerar um pneu com espinhos ou um amuleto forte e fraco ao mesmo tempo.
Ao longo da obra, descobrimos mais sobre o mundo, o povo do céu, e o motivo dos poderes do protagonista. Há uma excelente mescla de ação, suspense e qualidade artística insana.
Oi, Assumi Pum (ou Boa Noite, Pum): A Macabra Realidade
Por último, temos Oi, Assumi Pum (ou *Boa Noite, Pum*), uma obra aterrorizante sem ser estritamente de terror. Ela é macabra, sem precisar de sangue explícito. O mangá mostra a vida “normal” das pessoas sob uma ótica diferente, gerando uma viagem emocional intensa. É um aviso sério: se você não estiver em um bom momento emocional, talvez seja melhor evitar, pois muitos leitores se sentiram incrédulos e desolados ao final, embora a obra seja muito boa.
O mangá expõe um sentimento de desespero misturado com vazio. A peculiaridade começa no fato de o protagonista, um garoto chamado Pum, ser representado pela maior parte da obra por um pássaro de desenho simples e fofinho, enquanto o resto do ambiente é extremamente detalhista. A família dele também é representada por esses pássaros.
Em grande parte da história, Pum não fala uma palavra, o que ajuda o leitor a se colocar no lugar dele e sentir a fragilidade de uma criança em um ambiente esmagador. O início é tranquilo: ele sonha em ser astronauta, tem seu primeiro amor na escola e vê seus pais brigando, algo que ele já nem se importa mais. Seu tio tem problemas do passado.
A estranheza surge quando os adultos ao redor começam a agir de forma bizarra: um professor gritando e ameaçando quebrar pescoços de alunos que não entregarem tarefas, ou o diretor brincando de se esconder de forma perturbadora. Isso ilustra filosoficamente o quão caótico e sem sentido o mundo adulto pode parecer para uma criança crescendo nesse caos, expondo a hipocrisia dos adultos que deveriam ser modelos, mas são patéticos.
A narrativa destaca a dificuldade de crescer em um ambiente desestruturado. A garota que ele ama tem uma vida terrível: família alienada por um “deus pato”, divórcio dos pais, sentimento de culpa por coisas que não pode controlar, e falhas pessoais que só são respondidas com violência, o que ele testemunha constantemente. A solidão de encarar o futuro sem respostas para nada, com tragédias constantes, molda sua personalidade.
Com o tempo, o garoto, inicialmente puro e sonhador com um nome fofinho, torna-se alguém desolado, com sua personalidade manchada por atos questionáveis e destrutivos. Se voltarmos às primeiras páginas, percebemos como um conjunto de ações caóticas, o mundo deturpado dos adultos, a violência e a ausência de orientação podem transformar profundamente uma criança vulnerável em um adulto emocionalmente despedaçado. O ponto forte é que a obra não tenta justificar as ações do protagonista, apenas mostra a realidade de como o ambiente o moldou. Ao refletir sobre nosso próprio mundo, percebemos que essas realidades existem e muitas vezes escolhemos ignorá-las, e como nossas pequenas ações podem impactar drasticamente a vida de outros, especialmente de crianças.
Perguntas Frequentes
- O que é uma lenda urbana japonesa, segundo o artigo?
É uma história de assombração que, ao ser contada repetidamente, ganha uma forma física e se espalha pela cultura popular, dependendo da lembrança coletiva para continuar existindo. - Como a obra *Gatakuta* diferencia o mundo da superfície da Terra e o mundo das nuvens?
Na cidade flutuante, a sociedade é dividida entre ricos e pobres, enquanto na superfície, o lixo acumulado se transforma em monstros combatidos por humanos chamados *givers*. - Qual o elemento central de poder no mangá de Suishida?
Os poderes são inerentes a indivíduos chamados *chinans*, e o protagonista adquire sua habilidade após usar um “elemento X” para salvar um amigo. - Por que a obra *Oi, Assumi Pum* pode ser impactante emocionalmente?
Porque ela retrata de forma crua e sombria como um ambiente adulto caótico, violento e hipócrita pode levar uma criança pura a se tornar um adulto emocionalmente destruído. - Qual é o ponto em comum entre as obras mencionadas?
As indicações trazem uma grande variação de gêneros, incluindo romance sobrenatural, ação com superpoderes e narrativas *dark* e filosóficas sobre o caos social.






