Que Decepção! Esse Era Pra Ser Um Dos Melhores da Temporada!

que decepcao esse era pra ser um dos melhores da temporada

As últimas temporadas de anime, e especialmente o ano passado, trouxeram algumas decepções. Muitos títulos que já esperávamos que fossem medianos ou abaixo da média se confirmaram dessa forma, começando mal e terminando no mesmo tom. Contudo, o início deste ano trouxe uma mudança, onde as decepções com os novos lançamentos foram menores. Estava fazendo um bom tempo desde que não tínhamos novos animes que realmente nos desapontassem.

Continuações e Novidades na Temporada

O que aconteceu com os animes que retornaram no início da temporada, especificamente em janeiro? Várias continuações voltaram e, para muitos espectadores, foram elas que salvaram a temporada. No entanto, isso não significa que todos os novos animes que estrearam foram ruins. Claro, sempre haverá aqueles clichês que servem apenas para passar o tempo de forma divertida, mas também houve estreias que foram bem avaliadas e receberam notas altas, aparecendo até mesmo em listas de surpresas da temporada.

Ainda assim, existem alguns títulos muito específicos que geraram um sentimento de potencial desperdiçado, parecendo terem sido completamente ignorados ou mal aproveitados. Um exemplo disso é o que aconteceu com Yan Kuzu.

O Caso de Yan Kuzu e Yusha Kein Shosu

Este anime é do mesmo autor de outro título que saiu na mesma temporada, e a diferença nas recepções é gritante: um detém uma das piores notas, enquanto o outro possui uma das melhores entre os lançamentos novos.

Ao analisar mais de perto, além de ambos possuírem “Yusha” no título (Yusha Kein Shosu e Yusha Nokuzu), a base de seus personagens é muito similar em termos de temperamento e carisma. Ambos apresentam personagens principais quase idênticos, embora a história se posicione de maneira diferente.

  • Yusha Kein Shosu: Apresenta um mundo onde ser um herói é uma das piores punições. Os heróis são forçados a lutar na linha de frente contra o exército do Rei Demônio, sendo revividos e obrigados a continuar uma guerra sem fim.
  • Yusanokuzu (o irmão de Kein Shosu, com nota mais baixa): Ambientado em uma terra futurista ou no submundo criminoso de Tóquio. Os chefes do crime são chamados de “lords demônios” e usam aprimoramentos químicos para obter poderes. Os heróis, caçadores de recompensas, também utilizam essa droga para adquirir habilidades.

Ambas as obras compartilham temáticas e elementos parecidos, mas com mundos de pesos distintos. Yusha Kein Shosu é notavelmente mais pesado, dark e violento em comparação.

O Impacto da Direção

A principal diferença entre as duas obras, que explica a disparidade nas notas, foi o diretor. Quem acompanhou o mangá original de Yusha Kein Shosu sabe que a história em si não é excepcional. No entanto, o que o diretor fez no anime foi brilhante, salvando a obra.

A animação ficou muito bonita, com ação frenética e explosões. O diretor aprimorou a dinâmica da história e o funcionamento do mundo, promovendo um grande upgrade no visual dos monstros, que antes eram apenas figuras grandes, e dando mais detalhes a eles. A tecnologia utilizada, que no original era um “barril velho”, tornou-se algo mais trabalhado, estendendo as lutas e melhorando a ambientação geral.

O ponto crucial da mudança foi a alteração na personalidade dos personagens. No material original, o protagonista, Shilo, era mais brincalhão, fazia caretas e tirava sarro, o que dava um tom bem mais humorado e bobo à obra. No anime, ele é sério, contido e sente o peso do mundo, permitindo que o público entenda a profundidade e o drama da história.

Embora a animação de Yusenokuzu (o outro título) seja mediana, o grande problema foi a tentativa de forçar uma comédia excessiva que não funcionou em nenhuma das mídias (novel, mangá ou anime). Em Yusha Kein Shosu, ao removerem o excesso de comédia e definirem melhor as personalidades, a obra ganhou peso dramático.

Shibow Yug: Uma Transformação Positiva

Outro exemplo maravilhoso de um diretor que salvou uma obra, mudando o ritmo e tornando o anime muito legal, foi Shibow Yug. As versões da light novel, mangá e anime possuem identidades próprias, mas o anime demonstrou uma transformação significativa, estreando com uma nota muito boa, que se manteve alta mesmo após uma pequena queda.

Na light novel, tudo é muito extenso; no mangá, é rápido demais. O anime, por outro lado, adotou um estilo mais cinematográfico, fugindo da sexualização desnecessária presente nas outras mídias, como cenas onde as personagens aparecem apenas de toalha em um banheiro público. O anime foca menos nos detalhes corporais e mais na narrativa visual e sonora.

As longas explicações foram substituídas por elementos visuais e sonoros, com cenas mais estendidas e momentos de silêncio quase absoluto, dando atenção a enquadramentos que dispensam conversas cansativas. Isso deu lugar a uma história muito mais madura e psicológica.

Niduki o Sidok Shin: Potencial Desperdiçado pela Execução

O maior exemplo de potencial estragado, embora ainda fosse possível extrair algo divertido, foi Niduki o Sidok Shin. Este é um anime mediano, com orçamento baixo, o que já era esperado. A grande decepção, contudo, não foi a qualidade visual, mas sim um detalhe na narrativa:

  • A história, que parecia agradável, logo no final do primeiro episódio revelou um segredo da garotinha que a enquadrava em algo mais +18.
  • Isso aniquilou toda a dinâmica positiva de “pai e filha” e a sensação acolhedora que estava sendo construída.
  • O texto criticou a tendência japonesa de colocar crianças em papéis adultos.
  • Posteriormente, surgiram situações perturbadoras, como a garotinha dando a entender que gosta do protagonista, o que levou a narrativa a um nível de bizarrice.

Apesar de a história tentar se reconstruir depois, tornando-se mais divertida, esses momentos a tornaram uma decepção incomparável, impedindo que atingisse uma nota mínima de 7.7, o que seria alto para um anime de baixo orçamento.

Arneno de Kenbo: Clichê sem Desenvolvimento

Outro título que ficou abaixo do esperado foi Arneno de Kenbo, que também recebeu uma nota baixa. O anime se baseia no sobrenatural e na investigação de mistérios envolvendo criaturas como vampiros e lobisomens, ambientado no século XVI.

O protagonista, que atua como um “Sherlock Holmes”, é um ser sobrenatural que se envolve com uma humana. Contudo, essa premissa não foi bem desenvolvida. A presença da humana com roupa colegial e se tornando torcedora não fez sentido e não trouxe o suspense necessário.

As partes boas surgiam no final dos episódios, com confrontos contra seres sobrenaturais que eram bem executados e geravam curiosidade pelo próximo capítulo. Porém, isso era repetitivo e não mudava a estrutura geral.

A personagem Kaia, uma garotinha que deveria ser problemática, não cumpriu o papel, apresentando atitudes egoístas típicas da idade, mas sem o peso de ser uma verdadeira causa de confusão. Os confrontos dela contra monstros eram muito rápidos, mal dando tempo de sentir a ameaça. O drama sentimental sobre a família dela e o único ser que ela não consegue derrotar merecia mais tempo de tela para aprofundamento, mesmo que a nota final fosse apenas mediana, pois a comédia funcionava em boa parte do tempo.

Perguntas Frequentes

  • O que faz um anime ser considerado uma decepção de potencial desperdiçado?
    Ocorre quando o conceito, a base de personagens ou a direção inicial prometem muito, mas falham na execução, introduzindo elementos que destroem a atmosfera prometida ou não desenvolvem adequadamente os pontos fortes da trama.
  • Qual foi o fator principal que elevou a nota de Yusha Kein Shosu?
    A intervenção do diretor, que fez melhorias brilhantes na adaptação, como a mudança do tom do protagonista e o aprimoramento visual e da dinâmica do mundo, que não eram bem explorados no mangá original.
  • Como a direção de Shibow Yug impactou a obra?
    A direção optou por um estilo mais cinematográfico, reduzindo a sexualização desnecessária presente nas outras mídias e focando em uma narrativa mais madura e psicológica através de elementos visuais e sonoros.
  • É possível um anime mediano alcançar uma boa nota se focado na comédia?
    Sim, é possível, como no caso de Niduki o Sidok Shin em seus momentos de diversão, que alcançaria uma nota satisfatória (em torno de 7.7) se não fosse prejudicado por elementos narrativos perturbadores que arruinaram a dinâmica central.
  • Por que a comédia excessiva prejudicou alguns animes?
    Quando a comédia é inserida de forma inadequada, especialmente em cenas de ação ou tensão, ela pode anular o peso dramático necessário para a conexão do espectador com o tom sério do mundo apresentado.