Análise do Final da Segunda Temporada de The Last of Us
O encerramento da segunda temporada de *The Last of Us* gerou bastante discussão, especialmente porque a temporada prometeu muito e, para alguns espectadores, não entregou o esperado. Neste artigo, vamos detalhar as questões levantadas sobre o sétimo e último episódio.
É importante notar que este texto aborda uma análise aprofundada, e se você deseja entender como a opinião sobre a temporada evoluiu ao longo dos episódios, é recomendável acompanhar as análises dos capítulos anteriores.
A opinião geral é que o episódio final trouxe muitas questões, principalmente no que tange às alterações feitas em relação ao material de origem e ao desenvolvimento dos personagens. Embora muitas adaptações sejam esperadas, algumas escolhas neste último episódio pareceram regressivas ou desnecessárias, gastando tempo de tela com obviedades.
Expectativas e Decepções
A primeira temporada foi aclamada, o que naturalmente elevou as expectativas para a segunda. Quando as expectativas são muito altas, qualquer deslize pesa consideravelmente. Para alguns, o episódio final foi uma das maiores decepções da temporada.
Ao abordar as mudanças no último episódio, o foco principal recai sobre o desenvolvimento da Ellie, que, na visão de alguns, carecia de um avanço mais consistente ao longo da temporada. A repetição de certas discussões já debatidas e a explicitação excessiva de fatos óbvios para o espectador foram pontos negativos.
As Alterações no Final
O episódio começa com um flashback, seguido pelo retorno ao presente, onde Ellie encontra Nora, a tortura e consegue informações sobre Abby, que estava relacionada ao grupo da baleia gigante. A descoberta do local, que envolve a observação de um aquário no meio do mar, leva Ellie ao seu destino.
A dinâmica entre Ellie e Dina é mostrada, incluindo a cena de Jess retirando uma flecha da perna de Dina. Uma mudança notável foi a causa da incapacitação temporária de Dina: a flechada, em vez da gravidez, como ocorre no jogo. Essa alteração pareceu intencional para justificar a ausência de Dina durante a perseguição subsequente de Jess e Ellie a Tommy.
Dina, após receber ajuda para se limpar da violência sofrida, tem uma conversa reveladora. Ela reage à confissão de Ellie sobre a tortura e morte de Nora, afirmando que Nora “mereceu” o que aconteceu, o que contrasta com o discurso mais fervoroso de vingança que Dina vinha defendendo. A série usa este momento para introduzir a dúvida no propósito de Dina, especialmente ao descobrir que Ellie pode ser a salvação (em relação ao bebê), o que a faz recuar em seu ímpeto inicial. Essa mudança pareceu um “remendo” narrativo para justificar uma futura discordância com a vingança, algo que para alguns, não estava bem fundamentado até então.
Conflitos e Ambiguidade Moral
A série tenta constantemente manter a ambiguidade moral, algo presente na história original. No entanto, a forma como isso foi apresentado no final é questionável.
Um ponto crucial foi a cena de confronto entre os W.L.F. (Lobos) e os Serafitas. A série mostra os Lobos torturando um jovem Serafita, o que leva Ellie a sair do esconderijo para ajudar, apesar de já ter presenciado a crueldade dos Serafitas em outras ocasiões (corpos pendurados, etc.). A exposição desnecessária de Ellie e Jess neste cenário, onde ambas as facções são mostradas como violentas, pareceu um artifício para reforçar que “todo mundo é mau”, o que já deveria ser evidente.
Jess e Tommy buscam Tommy e demonstram atrito em seu diálogo, especialmente Jess questionando a gravidez de Dina. Ao chegarem ao local onde Tommy estaria, encontram o aquário e percebem que ele seguiu o plano de ir atrás de Ellie.
A Separação em Jackson
A série mostra Ellie decidindo se separar de Jess, uma decisão mais coerente no jogo do que na série, onde Ellie parecia menos focada na vingança pura e mais hesitante. Tommy, por sua vez, busca Ellie para ajudá-la.
O roteiro tenta consertar incoerências prévias, fazendo com que Ellie questione Jess com base na cena anterior (o confronto com os Serafitas), mas isso pareceu forçado, pois se Ellie estava 100% focada na vingança, ela não precisaria desse atrito para seguir seu plano original.
O Confronto em Santa Bárbara
Ao chegarem ao local, a cena da luta de Ellie contra Mel e Owen é descrita como mais brutal e agressiva do que a versão da série. Ellie, focada em encontrar Abby, confronta e mata Mel, descobrindo sua gravidez no processo, o que a deixa transtornada. A motivação para continuar, apesar do arrependimento, é atribuída à intoxicação pelo desejo de vingança.
A cena em que Jess cai sem vida após os tiros, enquanto Tommy é ameaçado por Abby, é intensa. A chegada de Abby, porém, é notada por uma presença forte, sugerindo um desenvolvimento de personagem que não foi totalmente explorado na temporada, mas que foi elogiado. O personagem Isaac é mencionado, expressando a falta que Abby fazia como estrategista, reforçando a percepção de que Abby é uma excelente combatente e líder potencial.
O Final: Pontos Positivos e Negativos
O episódio final se beneficiou de elementos já existentes na história original, como as cenas no aquário, que tiveram uma produção impecável. A fotografia e a produção técnica da série são consistentemente excelentes, o que torna as falhas no roteiro e na coerência argumentativa mais evidentes.
A principal crítica reside nas conveniências de roteiro e nas mudanças que, em vez de melhorarem a narrativa, a fragilizaram. A inconsistência percebida no desenvolvimento da Ellie, que parece ter se tornado “boazinha” e se arrependendo constantemente, contrasta com a fúria que ela demonstrou no material original, levantando dúvidas sobre como ela atingirá o extremo necessário nas próximas temporadas.
O final, ao focar no ponto de vista de Abby, promete revelar a extensão total de sua base W.L.F. na próxima temporada, algo pouco explorado nos encontros e desencontros da Ellie nesta temporada.
Perguntas Frequentes
- Como a mudança na causa da incapacitação de Dina afetou a narrativa?
A série optou por fazer a flechada, em vez da gravidez, ser o motivo para Dina não acompanhar Jess e Ellie na perseguição, o que alterou os motivos das ações subsequentes dos personagens. - O que motivou a reação de Ellie ao ver a tortura do jovem Serafita?
Ainda que Ellie já tivesse visto atos cruéis dos Serafitas, a série a colocou em uma posição de intervir, o que alguns espectadores consideraram incoerente com seu foco na vingança e com a maturidade que se esperava dela. - Por que a cena da morte de Mel não gerou a mesma emoção esperada?
A cena foi considerada apressada e menos impactante do que poderia ser, devido ao ritmo acelerado do episódio e à maneira como o foco foi desviado pela busca incessante de Ellie pela vingança. - É possível que a terceira temporada corrija as incoerências da segunda?
A análise sugere que, dadas as mudanças drásticas, talvez seja mais eficaz para a produção seguir um caminho narrativo completamente diferente nas próximas temporadas, em vez de tentar costurar as incoerências criadas. - Qual a principal crítica ao desenvolvimento da Ellie neste episódio final?
A principal crítica é que Ellie parece ter sido esvaziada de sua força e raiva, sendo retratada como excessivamente arrependida e guiada pelo acaso, o que mina o desenvolvimento de uma personagem que no material original era movida por um ódio intenso.
Este artigo reflete uma análise crítica do último episódio da temporada. Para mais discussões detalhadas, você pode procurar por conteúdos específicos nas redes sociais, seguindo o perfil @xgabiichavier.






