Primeiras Impressões de ‘Dīngentou Show’: Mudanças da Obra Original para o Anime
O anime *Dīngentou Show* finalmente chegou, e ele é um título que gerou bastante expectativa, especialmente por sua semelhança com *Kimetsu no Yaiba* (*Demon Slayer*). Muitos esperavam que ele pudesse ser uma grande surpresa, surfando na onda de popularidade do outro. No entanto, havia duas preocupações conhecidas que poderiam afetar a adaptação.
A primeira era o estúdio responsável pela animação, o **Yokohama**. Analisando a trajetória desse estúdio, a maioria de seus trabalhos recebeu notas medianas, raramente ultrapassando os 6 pontos no My Anime List, o que não é ideal para um novo anime. Embora animações como *Madioto Yadu* tenham tido uma boa qualidade visual e fluidez, a reputação geral não era das mais fortes. Além disso, apesar de ter nomes de peso na equipe de produção que participaram de projetos elogiados como *Dandadan Doro Redorô* e *Summer Time Render*, houve um atraso considerável de 9 meses no lançamento.
A estreia ocorreu com um episódio duplo de mais de 50 minutos, que gerou sentimentos mistos. Pessoalmente, a obra foi bem recebida; a nota atribuída inicialmente foi 7, o que é superior à média do estúdio. Vale notar que, no momento da análise deste artigo, a nota geral do anime já havia subido consideravelmente.
É importante ressaltar que, por enquanto, este anime não está disponível em nenhum catálogo de streaming conhecido, o que pode ter feito com que ele passasse despercebido por muita gente.
A Trama Central e as Mudanças Narrativas
A história acompanha um garoto que possui uma irmã mais nova, que é meio *oni*. Ele foi treinado para ser um samurai exterminador desses demônios, que possuem poderes sobrenaturais, enquanto os humanos são apenas comuns. O protagonista é o mais forte da vila e o protetor da sacerdotisa, que também é sua amiga de infância, com quem ele mantém um romance não declarado. A vida dele muda drasticamente ao encontrar dois *onis* com poderes surreais, forçando-o a viajar através das eras para caçar a líder desses demônios.
O anime começou muito bem, apesar de terem alterado e reorganizado bastante a ordem dos acontecimentos do material original. Essas mudanças, na verdade, parecem ter melhorado significativamente a narrativa. O material original, especialmente no começo, misturava o passado do protagonista com o presente de forma confusa, e muitas cenas da infância dele eram apenas esboços no mangá.
O anime optou por uma abordagem mais organizada, dedicando tempo para explicar a juventude do protagonista, quem ele é e quem são os personagens. Esta extensão na narrativa da infância, que adicionou detalhes que sequer existiam no mangá, tornou a história muito mais fluida e fácil de acompanhar.
Um grande exemplo de melhoria visual está nas paisagens e cenários. Onde o mangá mostrava apenas um campo simples, o anime preenche com árvores e elementos que remetem às glicínias de *Kimetsu no Yaiba*. O personagem interagindo com a água, algo ausente no mangá, foi um detalhe bem-vindo. Várias dessas melhorias de cenário são notáveis, especialmente em *takes* estáticos ou focados em um personagem falando.
Análise das Lutas e Animação Inconsistente
As lutas também receberam um certo “esticamento” no anime, com mais ação e diálogos entre os personagens e os *onis*. Contudo, a qualidade da animação nessas cenas caiu significativamente. Em comparação com o que foi apresentado antes, as lutas ficaram visivelmente inconsistentes: o protagonista aparece “torto”, como se tivesse batido de frente com uma Kombi, com uma qualidade muito inferior à mostrada segundos antes.
Essa inconsistência pode se tornar um problema sério nos próximos episódios, principalmente se as lutas forem rápidas, como são em parte no mangá. Se o estúdio não conseguir manter uma qualidade decente mesmo nas lutas mais curtas, a nota da obra tende a despencar.
Análise Detalhada com Spoilers (Episódio de Estreia)
Esta seção aborda especificamente as diferenças entre o anime e o mangá no episódio de estreia.
O final do episódio adaptado corresponde ao início da obra original, quando o protagonista retorna ao santuário em 2009, encontrando-o a salvo, o que marca o início de sua jornada de viagem no tempo.
O anime, no entanto, inverteu a ordem, começando com os irmãos ainda crianças. É mostrado que a irmãzinha (*Meioni*) sofria agressão e preconceito do próprio pai por ser meio *oni*. Eles fogem juntos e são adotados por um caçador de *onis*, que é o guardião da sacerdotisa da cidade.
O anime aprofunda a explicação de que a sacerdotisa é a esposa desse samurai, tendo uma filha, mas não podendo ver a mãe, e mostra o protagonista sendo treinado para ser futuramente um exterminador, pois a filha legítima dele tomaria o lugar da mãe. Este passado, que no mangá aparece de forma confusa e fragmentada em *flashbacks*, foi bem melhor explicado e organizado no anime, dando mais profundidade aos relacionamentos, mesmo que isso tenha consumido cerca de 10 minutos do episódio longo.
Houve ainda uma parte importante que foi omitida ou cortada: no mangá, antes de o protagonista avisar a sacerdotisa sobre a ameaça, ele vê uma mulher atacando-a, que se revela ser sua *Maoni*. Ele a decapita. Acredita-se que esta cena de ação foi removida devido à sua qualidade de animação inferior, que seguiria o padrão de queda visto nas lutas.
O protagonista no anime é retratado como mais sério, um samurai que segue as regras estritamente, o que difere um pouco do mangá, onde ele demonstrava um lado mais infantil. O anime também aprofunda a relação entre Dinta e a sacerdotisa, explicando a morte do pai adotivo ao proteger a antiga sacerdotisa e o forte afeto da irmã (*Dta*) por ele.
No mangá, a sacerdotisa revela o desejo de fugir com ele para ter um filho e viver longe dali, algo que foi sutilmente alterado no anime, mantendo Dinta no papel de samurai que não desvia do seu caminho.
Outra grande mudança ocorre na luta contra os *onis* na região. No mangá, Dinta recebe a missão de caçar dois *onis* — uma mulher que vê o futuro e um *bodybuilder* —, os confronta brevemente, e eles revelam a localização da base inimiga. No anime, ele vai direto ao encontro da sacerdotisa.
O Clímax do Episódio
O clímax do episódio mostra o confronto com a irmã *Oni* da sacerdotisa, que estava atacando-a por ciúmes do relacionamento dela com outro homem (o filho de um chefe local, que no mangá é um personagem ainda mais desagradável).
No mangá, a sacerdotisa perde a cabeça ao se aproximar de Dinta, o que seria um momento mais impactante. No anime, ela perde os braços.
A mudança mais significativa e bem-sucedida, porém, foi a reação da irmã *Oni*: ela segura a cabeça da sacerdotisa (ou dos braços perdidos, dependendo da versão da cena) e a esfaqueia repetidamente, expressando uma raiva muito mais vívida e macabra. Isso representou uma melhora significativa na adaptação.
Na luta que se segue, Dinta acerta um soco na irmã *Oni*, fazendo-a voar. A *Oni* que enxerga o futuro se sacrifica para que a *Meoni* (irmã da sacerdotisa) possa fugir, prometendo voltar para destruir tudo. Dinta recebe a lendária espada *Yaray*, que não enferruja e pertencia à sacerdotisa.
O episódio termina com Dinta retornando à vila, encontrando-a em chamas, com a irmã da sacerdotisa ainda à espreita. As diferenças em relação ao mangá no *flashback* do casamento forçado são claras, sendo que o pai do pretendente, ao forçar o casamento, é o responsável indireto por todo o caos.
No geral, a obra possui uma boa história, personagens interessantes, e o anime, apesar do orçamento limitado do estúdio Yokohama e da animação instável em certas lutas, está conseguindo entregar algo muito bom, sendo, ao lado de *Jotoju*, o melhor trabalho do estúdio até agora.
Perguntas Frequentes
- O que é o estúdio Yokohama conhecido por fazer?
O estúdio Yokohama é conhecido por ter uma média de notas baixas em seus trabalhos anteriores, embora tenha produzido animes com animação fluida, como *Madioto Yadu*. - Como o anime se compara ao material original em termos de ordem narrativa?
O anime reorganizou e expandiu o material original, colocando eventos do passado do protagonista no início para tornar a história mais clara e fluida, diferentemente da forma confusa como apareciam no mangá. - Qual foi o principal ponto positivo da adaptação no episódio de estreia?
A adaptação melhorou significativamente a profundidade dos relacionamentos e a clareza da origem dos personagens, além de aprimorar os cenários e a cena da fúria da irmã *Oni* da sacerdotisa. - É possível que a qualidade da animação seja um problema contínuo?
Sim, a qualidade inconsistente observada nas lutas, onde há quedas drásticas de qualidade visual, é apontada como o principal risco para os próximos episódios. - Qual a função da espada Yaray recebida pelo protagonista?
A *Yaray* é uma espada lendária que não enferruja e possui imensa durabilidade, que antes ficava sob custódia da sacerdotisa.






