A Ascensão e a Queda: A Análise Completa de Jujutsu Kaisen
Para todos que cresceram consumindo animes de ação como *Dragon Ball*, *Naruto* e *One Piece*, o surgimento de uma nova obra capaz de causar tanto impacto foi algo notável. Em 2020, uma cena específica viralizou nas redes sociais, deixando os fãs em choque e desesperados para descobrir o nome da série. Foi assim que conhecemos *Jujutsu Kaisen*.
Este ano marcou uma mudança significativa no cenário dos animes, impulsionada pelo sucesso estrondoso desta obra. Em pouco tempo, *Jujutsu Kaisen* foi comparado aos gigantes do gênero, conquistando o título de melhor anime em 2021 e levando um de seus personagens principais ao topo dos *trending topics* do Twitter em duas ocasiões. Para coroar esse sucesso, chegou a figurar no Guinness Book como o anime mais popular do mundo. No entanto, essa trajetória meteórica culminou em momentos que frustraram profundamente a base de fãs.
Este artigo se propõe a ser uma análise detalhada dos pontos cruciais desta obra, abordando tanto seus méritos quanto suas falhas, explorando o auge e a subsequente queda que gerou tanta frustração entre os admiradores.
O Início: De História de Terror a Fenômeno Escolar
A jornada criativa começou em 2017, com o autor iniciando o primeiro capítulo de *Jujutsu Kaisen Zero* com uma mentalidade ousada, que poderia ser resumida como: “Vou fazer o que eu quiser, e se não der certo, eu desisto”.
O conceito original era um *storyboard* de uma história de terror. Nele, o protagonista, Yutotsu, buscava espíritos rancorosos poderosos o suficiente para derrotar Rika, a fim de evitar que ela matasse sua família por ciúmes. Nessa versão inicial, seria Mac quem recrutaria Ita para a organização Jujutsu.
Contudo, a realidade era que este rascunho desesperado representava a última tentativa do autor de emplacar um mangá após receber críticas negativas de seu editor sobre seu trabalho anterior. O criador sentia-se inseguro, mas, para sua sorte, a editora viu potencial no novo *storyboard*, embora o achasse um pouco tedioso.
O editor sugeriu algumas mudanças para tornar a história mais comercial. A dica mais crucial foi que a trama deveria se passar em um ambiente escolar. Após inúmeros ajustes, nasceu o primeiro capítulo de *Jujutsu Kaisen Zero*, lançado em abril de 2017 em uma edição especial da Jump, a Giga.
Neste ponto, o autor apostou tudo. Ele havia planejado cerca de 10 capítulos para contar a história e guardava seu clímax – a luta entre Geteto e Okotsul – para um possível futuro lançamento semanal. Como isso não era uma série semanal, ele usou o clímax logo de cara. O resultado foi um sucesso.
Animado e mais confiante, o autor dedicou seu talento e experiência para garantir uma publicação semanal. O sucesso de *Jujutsu Kaisen Zero* foi tão grande que ele reutilizou elementos daquela história para criar o capítulo piloto da série semanal, intitulado “Somente Jujutsukais”. No entanto, este foi recusado.
Embora pareça ilógico que um sucesso como o *Zero* não garantisse a publicação da série, a verdade é que a recusa impulsionou tanto o autor quanto o editor a lapidarem um novo recomeço. Foi nesse processo que diversas referências pessoais do autor ganharam destaque na obra. Exemplos incluem:
* O ato de Yuji comer o dedo de Sukuna para salvar Megumi, inspirado pelo sacrifício de Itu em *Bleach* para obter poderes de Shinigami e proteger Hukia.
* A relação entre Naruto e as Nove Caudas.
Para sua nova versão, o autor optou por um ser mitológico totalmente incompatível com seu receptáculo: Sukuna, o demônio de duas faces, uma figura mitológica japonesa, frequentemente associada a homem, espectro, divindade ou demônio. Essa fusão de referências deu vida a uma narrativa sombria e emocionante, que rapidamente se tornou um sucesso estrondoso.
A Explosão do Anime e o Reconhecimento Mundial
Em outubro de 2020, a adaptação em anime, produzida pelo estúdio MAPPA (que posteriormente enfrentaria polêmicas trabalhistas), chegou para consolidar o sucesso. O anime chegou quebrando tudo, e o autor estava prestes a estourar a bolha do mangá.
A recepção positiva do anime foi tão expressiva que dobrou as vendas do mangá na época. A receita do sucesso era clara: animação bonita, fluidez e dubladores brilhantes, o que gerou uma legião de novos fãs globalmente.
A primeira temporada ganhou o prêmio de Melhor Anime do Ano em 2021 no Anime Awards, organizado pela Crunchyroll. Além disso, a obra conquistou:
* Melhor Encerramento com “Lost in Paradise”.
* Melhor Antagonista para Ryomen Sukuna.
O ano de 2022 trouxe ainda mais premiações, incluindo:
* Melhor Garota dos Animes para Nobara Kugisaki.
* Melhor Performance de Dublagem para a voz de Satoru Gojo.
* Melhor Cena de Luta para Yuji Itadori e Oi contra Hanami.
* Melhor Anime de Ação do Ano.
O Auge: A Batalha Épica de Gojo vs. Sukuna
O sucesso continuou avassalador, com lutas visualmente impressionantes e uma grande evolução na narrativa. O ponto culminante, o ápice da obra, foi a luta entre Satoru Gojo e Sukuna, o Rei das Maldições.
Essa rivalidade começou logo no primeiro episódio, quando Itadori consumiu um dos dedos de Sukuna e, mesmo com poder absurdo, conseguiu conter o vilão. Naquele momento, Gojo quis testar sua força, pedindo para Itadori liberar Sukuna, afirmando que ele, sendo o mais forte, não correria perigo. A luta foi um atropelo; Gojo humilhou Sukuna e ainda afirmou que o venceria mesmo se este estivesse com todo o seu poder. A semente do mal estava plantada: o feiticeiro mais poderoso havia subestimado o rei das maldições.
Muitos fãs consideram Gojo o verdadeiro alicerce da obra, sendo o personagem mais popular, exceto talvez o próprio Sukuna, que demonstrou um poder sempre superior. A espera por essa luta no anime foi imensa.
O confronto ocorreu no início do arco final, após Gojo ter recuperado sua liberdade e Sukuna ter se apossado do corpo de Megumi. A qualidade técnica elevou tudo a um novo patamar, com expansões de domínio e o “Vazio Roxo” de Gojo em evidência. A batalha intensa era o ponto de decisão sobre quem era verdadeiramente o mais forte.
A luta foi gigantesca e representou o auge de *Jujutsu Kaisen*. No entanto, o artigo aponta que “quanto mais alto, maior a queda”.
O Início da Queda: Pressão, Inexperiência e Frustração
A influência de Gojo não diminuiu mesmo após sua aparente morte. A *fanbase* era tão obcecada que a esperança de seu retorno o levou ao topo do Twitter duas vezes: uma pela morte e outra pela esperança de retorno, gerando teorias extremamente exageradas, como a ideia de que ele ativaria energia reversa para reconstruir o corpo ou que ativaria um Vazio Roxo programado para eliminar Sukuna.
Apesar de o autor ter afirmado que era “chega de Satoru Gojo”, a pressão exercida pela audiência foi o verdadeiro catalisador da queda da obra.
É comum que autores de grandes obras enfrentem dificuldades em criar finais que agradem a todos, como visto em *Naruto*, *Attack on Titan* e até mesmo em *One Piece*, que opta por não terminar para evitar essa armadilha. O sucesso, ironicamente, é o que dificulta o encerramento satisfatório.
Ao esticar a história, o autor criou problemas que precisava resolver, como o desequilíbrio de poder gritante entre o protagonista/vilão e os demais personagens, e a introdução de elementos mal explicados, como a mão misteriosa no pescoço de Kenjaku ou a menção ao povo Ainu sem desenvolvimento.
O ponto mais frustrante, para o autor do texto, foi a origem do poder de Sukuna: ter comido seu irmão gêmeo no útero.
A frustração atingiu o pico com o que foi chamado de “Gota”:
1. **O Retorno de Gojo:** Devido à pressão da *fanbase* pedindo o retorno de Gojo, o autor trouxe seu corpo de volta, controlado pelo cérebro de Yuji, mas de forma muito inferior e rapidamente derrotado. Muitos fãs viram isso como uma zoeira ou demonstração de inexperiência ao lidar com a pressão.
2. **A Necessidade Financeira:** A obra começou a ser explorada financeiramente de forma excessiva.
As Polêmicas do Estúdio MAPPA
Além das questões de roteiro, a produção do anime também enfrentou sérias controvérsias durante a segunda temporada. Ex-funcionários do estúdio MAPPA denunciaram condições de trabalho desumanas, incluindo longas jornadas, salários baixos para entregar conteúdo atrasado e a obrigatoriedade de assinar acordos de confidencialidade sobre as condições trabalhistas.
Os Jogos e Filmes Compilados
A estratégia de lucrar com a popularidade se estendeu aos jogos. Enquanto franquias como *Naruto* entregaram jogos revolucionários, *Jujutsu Kaisen* lançou *Curse Clash*, classificado como um dos piores jogos baseados em anime da atualidade, criticado por ser repetitivo, *bugado* e mal acabado.
A maior ironia, contudo, foi o lançamento cinematográfico de **Jujutsu Kaisen 0**, que foi importante por introduzir a morte de Geto e desenvolver Yuta Okkotsu. O problema surge agora, com o lançamento de um filme que simplesmente compila os primeiros episódios da segunda temporada, previstos para chegar aos cinemas em 2025, após terem sido exibidos em 2023. O artigo critica essa tática como “tirar os fãs de otários”, forçando o público a pagar ingressos de cinema por conteúdo que já foi visto na TV.
Perguntas Frequentes
- O que é o Guinsbook e como Jujutsu Kaisen foi citado nele?
Guinness Book é o livro de recordes mundiais. Jujutsu Kaisen recebeu o título de anime mais popular do mundo com base no método de pesquisa do Guinness Book, que mede o engajamento, audiência e buscas nas redes sociais. - Qual foi a principal sugestão do editor para o autor de Jujutsu Kaisen?
A sugestão mais importante dada pelo editor foi que a história deveria se passar em um ambiente escolar, o que levou à criação da versão definitiva da obra. - Por que a morte de Satoru Gojo causou tanta comoção e teorias?
Goijô era o personagem mais popular da série. Sua morte inesperada gerou uma onda de comoção, memes e teorias conspiratórias sobre seu retorno por parte da base de fãs. - Como as condições de trabalho do estúdio MAPPA afetaram a obra?
Relatos indicam que animadores do estúdio denunciaram condições de trabalho desagradáveis, com longas horas e baixos salários, o que ocorreu durante a produção da segunda temporada do anime. - Qual a diferença entre Jujutsu Kaisen Zero e o filme mais recente lançado?
*Jujutsu Kaisen Zero* foi o filme original que introduziu a história de Yuta Okkotsu e a morte de Geto. O filme mais recente criticado no artigo é uma compilação dos primeiros episódios da segunda temporada, que já haviam sido exibidos.
A grande esperança que resta é que a adaptação animada consiga aprimorar aspectos do mangá, como a escalada de poder e a resolução de pontas soltas. Entretanto, com a pressão financeira e as táticas recentes, o futuro da obra parece incerto, apesar da eminente e aguardada animação da luta entre Satoru Gojo e Sukuna.






