A História Macabra por Trás dos Nove Fetos da Pintura da Morte em Jujutsu Kaisen
O final da primeira temporada de Jujutsu Kaisen chocou a audiência, não apenas pelas batalhas intensas ou pelo carisma dos personagens, mas por um elemento muito mais sombrio: a transformação de referências históricas em um verdadeiro filme de terror. Isso ocorreu com a introdução dos nove fetos gerados a partir da infame “Pintura da Morte”.
A história por trás desses seres é perturbadora e merece uma análise cuidadosa para entender como ela moldou o universo da obra.
A Tragédia da Mãe dos Nove Fetos
Há pouco mais de um século, uma jovem engravidou de um espírito amaldiçoado. Sem se lembrar de como isso aconteceu, ela deu à luz um que era, essencialmente, um cadáver. Esse evento chocante levou a jovem a ser julgada por sua própria família, forçando-a a tomar a pior decisão de sua vida: fugir.
Desesperada, ela buscou refúgio em um templo, mas sua sorte piorou drasticamente. O local era comandado por Noritoshikamo, um feiticeiro jujutsu considerado o mais desprezível e odiado do mundo, inclusive por seu próprio clã.
Ao descobrir as habilidades únicas da mulher, a curiosidade de Noritoshikamo despertou, e ele a transformou em uma de suas cobaias. Sob seu comando, ela foi forçada a engravidar nove vezes e, em seguida, abortar outras nove vezes.
Embora todos os registros dessas experiências bizarras tenham sido destruídos, o resultado foi que cada um dos nove fetos se tornou um Objeto Amaldiçoado. Dentre eles, os três primeiros foram classificados como Objetos de Nível Especial.
A grande questão é: de onde veio o poder colossal desses objetos? Muitos sugerem que a origem reside no rancor e no ódio acumulados pela mãe durante sua vida de tormento.
O Papel Oculto de Kenjaku
Um dos segredos mais obscuros dessa história é que Kenjaku, o grande antagonista da série, estava ativamente envolvido no período. Naquela época, ele estava controlando o corpo de Noritoshikamo.
Isso fica evidente pela cicatriz proeminente na testa de Noritoshi. Kenjaku, sendo o maior cientista do mundo jujutsu, desejava a fusão da humanidade com Tengen. Aproveitando o corpo de Noritoshi, ele decidiu experimentar com o DNA do clã, forçando os fetos a herdarem a técnica inata do clã: a manipulação de sangue.
Os Três Primeiros: Choso, Eso e Kechizu
Apesar das técnicas de sangue parecerem um trunfo, elas carregam uma ironia dentro da narrativa. Os três primeiros fetos, Choso, Eso e Kechizu, apareceram após serem roubados da Escola Jujutsu por seu receptáculo original.
É fascinante notar que, apesar de nunca terem vivido plenamente — até serem consumidos por seus receptáculos —, eles possuíam um profundo laço de irmandade, chegando ao ponto de decidirem viver um pelo outro. Essa união fraterna os levou a se alinharem com as maldições, acreditando ser mais fácil coexistir entre elas do que entre os humanos, especialmente devido às suas aparências assustadoras.
Quando Nobara atinge Eso com sua Ressonância, seu irmão Eso também sente o impacto, e o sofrimento compartilhado evidencia o quão trágicas são suas existências, transformando-os mais em vítimas do que em vilões.
Eles foram condenados a uma prisão desde o início, alimentados pelo ódio, enquanto viam sua mãe ser torturada até a morte por um homem cruel. Isso explica seu ódio aos humanos, mas o mais triste é que, inicialmente, eles não alimentavam sentimentos negativos, apenas a vontade de sobreviver.
A motivação de Choso era proteger seus irmãos. Quando eles foram mortos, seu único objetivo se tornou a vingança contra Itadori, que ele acreditava ser o assassino. A dor de Eso ao ver a morte de seu irmão reforça a crueldade daquele mundo.
Choso: O Oposto de uma Maldição
Choso, o feto número um, é o exato oposto do que se esperaria de uma maldição. Sua humanidade é maior que seu ódio. Ele é um personagem familiar. Embora seja um mestiço de humano, maldição e feiticeiro jujutsu (algo comparável ao Itadori), seus laços eram reais. Como irmão mais velho, ele se sentia responsável por todos os outros.
Culturalmente, no Japão antigo, o primogênito (Tonan) carregava uma responsabilidade significativamente maior. Isso, somado à criação deles há mais de 100 anos e à importância do laço de sangue no clã Kamo (tanto geneticamente quanto na técnica inata), uniu os nove fetos em uma luta pela sobrevivência.
Essa união se tornou tão forte que, ao ajudarem Kenjaku, eles não sabiam que estavam auxiliando a pessoa que torturou sua mãe.
A fúria de Choso ao descobrir que Itadori era, na verdade, seu irmão, culminou em uma luta intensa, inspirada em referências cinematográficas como o filme filipino *Operação Invasão*.
O Canibalismo e a Conexão de Almas
O mangá revela que a mãe de Itadori era, na verdade, Kenjaku. Assim, tanto Itadori quanto Choso eram experimentos genéticos. Itadori foi criado como o receptáculo perfeito para Sukuna.
O anime explora o conceito de “comunicação por alma”, onde memórias enraizadas podem ser acessadas, mesmo que não existam fisicamente. Isso se manifesta nas lembranças de Choso com seus irmãos e com Itadori.
A conexão de alma é fundamental para entender a ligação com o terror histórico. Os nove fetos são representações das nove pinturas da morte budistas, que ilustram os nove estágios de decomposição de um corpo humano, criadas para afastar os desejos mundanos e promover a reflexão sobre a fragilidade da vida.
As fases são:
- Tchosos (Fase de Inchaço): Morte recente, gases liberados, sangue para de coagular.
- Osso (Fase da Ruptura): Corpo gelado, pálido e começando a se decompor.
- Kechizu (Fase Sangrenta): Corpo se transforma em líquido, pele e carne danificadas.
- Noranço (Putrefação): Apodrecimento e decomposição causados por vermes e insetos.
- Showso (Dessecação): O corpo começa a secar.
- Ransô (Consumação): Animais começam a comer a carne do cadáver.
- Sansô (Dissimilação): A carne desaparece, o corpo se fragmenta.
- Kotsusu (Ossos): Sobram apenas os ossos.
- Chossu (Cremação): Os ossos são queimados em cerimônia religiosa, a representação final.
O veneno que corre nas veias dos três irmãos, ligado à morte, torna-os mais poderosos que membros comuns do clã Kamo.
O simbolismo final reside no canibalismo: Itadori comeu os dedos de Sukuna e, de forma mais grotesca, engoliu seis dos seus nove irmãos fetos, adquirindo suas técnicas de manipulação de sangue. Assim, assim como nas pinturas da morte, tudo se conecta. Choso, ao ter seu irmão mais novo ingerido, ganha não só a força, mas a vontade dos outros fetos. No entanto, Choso realizou a maior devoção de todas: proteger Itadori com o próprio corpo.
Perguntas Frequentes
- O que são os Nove Fetos da Pintura da Morte?
São nove objetos amaldiçoados criados a partir de nove gestações e abortos forçados de uma mulher pelo feiticeiro Noritoshikamo, sob o controle de Kenjaku. - Qual a relação entre Choso e Itadori?
Eles são irmãos, pois Itadori foi gerado pela mesma mãe que Choso, mesmo que por um processo diferente (Itadori como receptáculo de Sukuna). - Como as técnicas de manipulação de sangue são únicas nesses fetos?
O sangue deles é gerado pela energia amaldiçoada, o que os protege dos riscos normais da técnica, como hemorragia ou trombose, tornando-os Objetos de Nível Especial. - É possível que as pinturas da morte afetem a história do anime?
Sim, as nove fases de decomposição são diretamente relacionadas aos poderes e à natureza de cada um dos nove fetos.






