A temporada de animes chegou ao fim, e como de costume, é hora de fazer aquele balanço geral. Ao longo dos últimos meses, acompanhamos estreias, surpresas inesperadas e algumas decepções. Agora, com a grande maioria das obras finalizadas, chegou o momento de revisitar alguns títulos que despertaram uma atenção especial, ajustar expectativas e compartilhar percepções sobre o que realmente valeu a pena.
Marital Toxin
Embora não estivesse entre as minhas maiores expectativas no início, este anime se revelou uma grata surpresa. A premissa mistura romance, ação, comédia e um toque de drama, centrada em um protagonista que busca encontrar uma esposa enquanto lida com situações inusitadas. A estrutura pode parecer repetitiva — encontrar uma pretendente, enfrentar conflitos e superá-los —, mas a execução consegue ser divertida e envolvente. O carisma dos personagens e a boa química entre eles, aliada a um lado mais humano e vulnerável do protagonista, impedem que a história se torne cansativa.
Liar Game
Aqui, a experiência foi bastante curiosa. Havia uma expectativa de encontrar estratégias complexas e reviravoltas cerebrais, mas o resultado final dividiu opiniões. O protagonista, que deveria ser um gênio astuto, muitas vezes parece desconectado da seriedade da situação. Por outro lado, a personagem principal, inicialmente pintada como ingênua, passa por uma evolução drástica e questionável no final da temporada. Apesar disso, o carisma latente dela em momentos de calma e as explicações estratégicas salvam parte da narrativa.
Witch Hat Atelier
Este título foi um dos que mais brilhou aos olhos pelo esmero visual, design de magias e fluidez da animação — uma sensação nostálgica que remete ao primeiro contato com obras de fantasia clássicas. No entanto, o anime enfrenta críticas válidas, especialmente no que tange ao comportamento de certos personagens. A falta de punição para atitudes destrutivas e a necessidade de um maior teor de perigo para a narrativa são pontos que podem frustrar quem busca uma profundidade maior. É uma obra visualmente impecável, mas que deixa um pouco a desejar na construção emocional e nas consequências dos atos dos personagens.
Yominutsugai
Este foi, talvez, o anime que mais dividiu o público nesta temporada. Enquanto alguns o consideram subestimado, outros apontam falhas estruturais, como a falta de profundidade do protagonista, que parece não se importar com traumas do passado ou com a perda de pessoas próximas. Apesar disso, o balanço entre ação, comédia e explicações sobre o universo da obra funciona bem. Destaco a personagem Esquerda, que traz um diferencial cômico e uma personalidade única que eleva o nível do entretenimento.
Agents of the Four Seasons
Comecei a acompanhar por conta do *hype*, mas o início foi arrastado. A protagonista, com sua dublagem e comportamento extremamente forçados, não ajuda na imersão. No entanto, ao atingir os episódios finais, a história passa por uma transformação radical. As dores dos personagens tornam-se genuínas e o drama, anteriormente forçado, ganha um peso real com temas de abuso e repressão. É quase como se estivéssemos assistindo a outro anime na reta final.
Kill Blue
Uma das maiores surpresas em termos de diversão pura. Mesmo sem uma animação primorosa, a comédia acerta em cheio e lembra, por vezes, obras como Sakamoto Days. O protagonista age de forma coerente com sua idade mental, o que é um alívio em comparação a outros animes que abusam de clichês envolvendo menores de idade. É um excelente passatempo com uma abertura sensacional e um ritmo muito satisfatório.
Nippon Sangoku
Para mim, este é um dos destaques da temporada. Com uma proposta artística forte e corajosa, o anime não tem medo de ser diferente. O enredo foca em estratégias políticas, formas de governo e manipulação de massas, explorando como figuras de poder podem ser maquiadas e seguidas cegamente. É uma narrativa densa, baseada em diálogos e tramas políticas, que pode ser cansativa para quem busca ação constante, mas é executada com uma elegância e profundidade admiráveis.
Perguntas Frequentes
- O que define um “bom” anime de temporada?
Depende do gosto pessoal, mas geralmente envolve um equilíbrio entre uma boa animação, personagens carismáticos e uma história que consiga manter o interesse do início ao fim sem recorrer a clichês excessivos ou soluções preguiçosas. - Por que algumas histórias parecem “forçadas” no início?
Frequentemente isso ocorre quando o roteiro tenta estabelecer um tom dramático ou cômico antes de desenvolver a conexão emocional real com os personagens, fazendo com que as reações pareçam desproporcionais aos acontecimentos. - Vale a pena assistir animes que têm início lento?
Sim, desde que a construção de mundo ou a evolução dos personagens compense a espera. Muitos animes só encontram seu ritmo real após a apresentação de conflitos mais profundos, como aconteceu com alguns exemplos citados. - É melhor focar em animes que seguem um estilo ou variar?
Variar é a melhor forma de evitar a fadiga, especialmente quando se trata de gêneros saturados. Assistir a gêneros diferentes ajuda a apreciar melhor a qualidade técnica e a originalidade de cada obra.




